#93 Inês Vicente

22 agosto, 2017


Estudou design de moda e decidiu seguir para Londres para se especializar em moda/ambiente/sustentabilidade. Foi em terras de sua majestade que Inês iniciou, com alguns colegas de curso, uma loja/estúdio para venda de algumas das peças que criavam e, no regresso a Portugal, deu continuação à ideia de trabalhar numa marca pessoal. Nasceu assim a Airosa, marca intemporal de roupa e acessórios reconhecida pelas suas mochilas.

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Uma miúda airosa. Gosta de sol e boas energias.

Quando regressaste de Londres a moda em Portugal ainda não tinha a força que estavas à espera. E agora? 
Quando regressei, em 2011, falava-se muito pouco de moda sustentável. Comecei a fazer workshops de reciclagem de roupa e swapshops (eventos de troca de roupa) que era uma óptima maneira de arranjar matéria prima para um projeto de upcycling que estava a fazer, infelizmente sem grande sucesso. Entretanto virei-me para a produção de mochilas, interessava-me o foco em um produto apenas, estudar todas as suas potencialidades. Hoje em dia já existem várias empresas portuguesas focadas na sustentabilidade, tanto a nível de criadores como de fornecedores. Penso que ainda há um longo caminho para convencer os consumidores a investir neste tipo de produtos mas o crescente número de eventos e organizações que existem relacionados com o tema deixam-me bastante confiante.

Ainda te dedicas aos workshops de reciclagem e às swapshops? 
Voltei este ano, a convite do Projeto Recostura (facebook.com/recosturalx), a participar em workshops de upcycling de roupa. O formato é bastante interessante porque junta designers (como eu) e costureiras, para que mesmo quem não saiba costurar possa alterar as suas peças. Começamos com uma sessão de triagem das peças e aconselhamento e depois segue-se a transformação da peça. Fazemos eventos de 3 em 3 meses, estejam atentos!

Que espaço ocupa a ilustração no teu dia a dia profissional? 
Hoje em dia já só o faço a nível pessoal. Deixa-me bastante relaxada e dão óptimos presentes de aniversário!

A Airosa é uma marca de roupa e acessórios mas que não alinha em 'modas'. És de evitar tendências?
Parece contraditório, mas sim! As tendências são uma estratégia para a renovação sazonal do guarda-roupa, quanto mais "tendência" uma peça for, mais probabilidade terá de ser descartada por já não estar na moda nas seguintes estações. A Airosa prefere apostar em peças intemporais, feitas com qualidade e de acordo com o que o consumidor precisa, por isso tento manter o contacto com os utilizadores e fazer pequenos ajustes ao design consoante o feedback que vou tendo. Não me interessa fazer peças para serem deitadas fora, quero fazer peças que criem laços com quem as utiliza e por isso sejam estimadas por muitos anos.

A moda pode ser uma ferramenta de mudança social?
Pode e deve! A forma como nos apresentamos passa uma mensagem do que somos, mesmo que não o façamos de modo propositado. Como designer sinto a responsabilidade de criar peças que passem a mensagem dos princípios nos quais acredito, é um privilégio ter esta ferramenta. Não faço t-shirts com slogans óbvios, mas penso que as mochilas que crio falam por si. Podemos ter objetos desejáveis que ao mesmo tempo tenham preocupações éticas: somos uma marca vegan, o processo de produção assenta no conceito "zerowaste" e não alinhamos no descarte fácil das tendências.

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