#91 Débora Umbelino

20 agosto, 2017


Gosta de música desde que se lembra de ser gente e aos cinco anos já pedia à mãe para aprender bateria. Débora lançou o projeto SURMA, uma one-woman-band onde domina teclas, samplers, cordas e vozes em sonoridades que fogem do jazz para o post-rock, da eletrónica para o noise. Os convites já lhe chegam de toda a Europa. 

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Uma miúda que só quer viver a vida ao máximo dos máximos com as melhores pessoas a seu lado! Conhecer o Mundo! 

Ainda te consideras uma 'miúda estranha'?
Muito! Acho que sempre fui uma miúda um pouco outsider desde os tempos de escola! Sempre fui um bocado vista de "lado" pelos meus colegas de turma e pelas pessoas de fora! Mas sempre me senti muito bem em relação a isso! Não ligava muito à vida social eheh 

Como é que aos cinco anos te lembraste de querer aprender bateria? 
Não faço a mais pequena ideia! Na altura andava sempre a fazer batuque com tudo! Até com uns simples talheres tentava fazer ritmos! Até que um dia me lembrei de dizer à minha mãe que gostava de aprender bateria numa escola de música que havia na aldeia onde moro! Sempre foi um instrumento que gostava muito de aprender! 

De Leiria para o Reino Unido, Suécia, Alemanha, França, Espanha... estavas preparada para estas andanças? 
Não estava nada preparada. Lancei o projeto com expetativas mesmo muito baixas, nunca pensei sair da cave onde ensaio! Só o simples facto de já ter percorrido tantas regiões do país e ter viajado lá para fora e dar a conhecer a minha música a públicos tão diferentes, tem sido uma viagem de sonho! Nunca pensei em fazer isso! Tem sido muito graças ao apoio que tenho tido das pessoas! Têm ajudado mesmo muito! 

Passaste de um palco partilhado para uma one-woman-band. Ganha-se mais liberdade no processo criativo mas já não se partilha o nervosismo em palco? 
Verdade eheh! Quando estás inserida numa banda tens sempre um background que te ajuda a superar os nervos! Não estás sozinha, se fazes alguma coisa mal está lá alguém para corrigir esse erro. A vida na estrada é muito mais à base de convívio (mas eu também sou suspeita, adoro viajar sozinha)! Quando entrei nesta vertente mais a solo ganhei muito mais liberdade criativa (queres pôr um som de um sapo pões, queres tirar um riff que já não gostas, tiras)! É um processo muito genuíno e muito teu no que toca a essa parte! Gosto mesmo muito e sentes que és 200% tu que está ali!

O telemóvel ainda é o teu fiel gravador de melodias?
Ahah posso dizer que sim! É o meu fiel gravador de ideias madrugadoras! Não faço nada sem ele! Muitas das minhas músicas vieram a partir de riffs perdidos que me vêm à cabeça durante a noite ou até mesmo no meio da rua enquanto vou a andar para qualquer lado!

Podem encontrá-la aqui: 
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