#88 Manas das Caldas

17 agosto, 2017


Não são irmãs de sangue mas apoiam-se entre si como se o fossem. As Manas das Caldas começaram por ser apenas mais um projeto entre os muitos que integram o Caldas Late Night, mas entretanto ganhou vida própria. Maria Passô e Mariana Dias são a cara desta iniciativa que reúne e promove o trabalho artístico de todas as Manas que a elas se quiserem juntar. 

Afinal quem são as Manas?
As Manas das Caldas surgiram em 2015 por parte de outras manas amigas, no contexto do Caldas Late Night. O CLN é um evento criado por alunos da ESAD.CR que convida toda a cidade das Caldas da Rainha a abrir as suas casas de maneira a partilhar e expor projetos de todas as naturezas.
Na primeira edição, as Manas foram isso mesmo, uma casa de partilha de girl power.
E tendo sido um projeto que tanto nos orgulhou e fascinou, achamos que não poderia morrer ali e decidimos pegar nele com todo o amor, carinho e dedicação. Desde então que somos a cara e a voz deste projeto. Maria Passô e Mariana Dias, mas mais do que nós as duas, as Manas são todas as mulheres que se juntam a nós com o propósito de mostrar as suas práticas artísticas. São todas e todos aqueles que nos ajudam a tornar possível cada exposição e também todas e todos aqueles que se revêm e se identificam com o nosso trabalho. Somos acima de tudo uma comunidade e uma equipa, tendo sempre sido esse um dos nossos principais objetivos.

Este foi o terceiro ano em que reuniram mulheres, damas, senhoras, mocinhas, cachopas e madames cheias de talento. É gratificante reunir tanto girl power?
É incrível e mais do que tudo, é gratificante.
De ano para ano, a nossa comunidade tem vindo a crescer e são cada vez mais as manas que nos abordam com o objetivo de fazer parte. Acho que isso acontece porque é fácil e imediato o momento de identificação com aquilo a que nos propomos. Todas nós como artistas e como mulheres temos a sensibilidade de perceber que juntas somos mais fortes.
Ficamos especialmente felizes por sentirmos que aqui conseguimos criar um ambiente familiar onde todas nos sentimos confortáveis para falar e trabalhar sobre os assuntos que realmente nos interessam.

A Casa das Manas abre as portas durante o Caldas Late Night. Deixá-la aberta todo o ano está nos planos ou reunir a família uma vez por ano é suficiente?
Os dias em que as Manas abrem as portas durante o CLN são um momento importante para nós, são dias em que conseguimos chegar até mais pessoas e em que o nosso universo deixa de ser só nosso.
São meses de trabalho e pesquisa que de repente se traduzem em muita cavaqueira, num dia cor-de-rosa, numa exposição maravilhosa da classe feminina e para todos os que a quiserem conhecer.
São dias que nos enchem de facto o coração, mas na realidade as nossas ambições são maiores e o nosso objetivo é fazer crescer cada vez mais este projeto e crescer com ele.
Uma das ideias que tem estado na gaveta mas que está prestes a ver a luz do dia tem o nome de Chá das Manas: encontros mensais em que abrimos as portas de nossa casa à hora do chá. Cada mês trataremos uma disciplina e uma matéria diferente em conversa aberta, master classe, workshop, visionamento de filmes, entre outros. Todas elas propostas que procuram a troca de informação e conhecimento entre artistas de várias áreas.
Com estes encontros pretendemos promover, de uma forma mais próxima, o contacto entre todas aquelas que fazem parte desta comunidade. Ainda existem logísticas por tratar mas as expetativas e o entusiasmo é grande. 

Há aquela ideia de que é mais fácil uma mulher entrar num museu como objeto de arte do que como artista... ainda sentem isso?
É verdade que, quando falamos do panorama geral, ainda é uma realidade e um estigma, mesmo que tenha vindo a diminuir consideravelmente ao longo do tempo. Mesmo como Manas das Caldas já vimos algumas portas serem fechadas por pessoas que não acreditam que a desvalorização da mulher como artista, seja um assunto a resolver e discutir. No entanto, dentro deste projeto, estamos em casa e moldamo-lo de acordo com aquilo que achamos que é o ideal. Estamos confortáveis, vamos criando espaço para isso, e acreditamos que é através de projetos como o nosso, como o teu e como muitos outros, que felizmente começam a surgir neste sentido, que vamos conseguindo abrir essas mesmas portas que ainda estão fechadas. E por isso sentimos também que devemos agradecer, agradecer-te a ti pelo projeto que criaste e também por nos teres dado a oportunidade de falar sobre o nosso.

Podem encontrá-las aqui: 
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