#86 Patrícia Soares da Costa

15 agosto, 2017


O branding corre-lhe nas veias e a EDP, PT, Brisa, SONAE, Fnac, Fidelidade e Multicare são apenas algumas das marcas que já lhe passaram pelas mãos. Patrícia espalhou criatividade por Londres, Rio de Janeiro, São Paulo e Madrid mas gosta mesmo é de 'jogar em casa' e regressou ao Porto para criar a Marquinista. 

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Sou Marquinista: a locomotiva das marcas, da comunicação e do turismo, que sonha com carimbos no passaporte e aceita milhas aéreas como honorários.

As marcas portuguesas estão bem e recomendam-se? 
Nem todas. E ainda bem, senão, ficávamos sem projetos e sem desafios interessantes de reposicionamento de marca e de mudança de percepção :)

O branding, sempre o branding e nada mais que o branding. É o amor de uma vida? 
Em criança, enquanto as minhas amigas brincavam aos escritórios, eu brincava de criar a marca para os negócios delas. Entusiasma-me o branding desde sempre. O poder da comunicação e a importância da percepção. Paro na estrada não para ver o acidente, mas sim para ver "as pessoas a ver o acidente". O que cada indivíduo está a absorver de forma única? Tal como cada consumidor vai interpretar de forma diferente os sinais da nossa marca. Afinal, vemos fora o que levamos dentro®.

O Porto está a deixar marca? 
As tradicionais DMOs (Destination Marketing Organizations) têm que evoluir para Destination Media Organizations. Agora a percepção de um sítio é democrática e inclusiva, todos contribuem (com fotos, hashtags, partilhas). Assim, o Porto é a cidade que não foi reinventada, mas reinventou-se. O Porto deixa "marca" mas não quer estar “na moda”. O Porto está a deixar marca, ponto.

O mercado publicitário já deixou de respirar por uma palhinha? 
Não sei se se investe mais, mas percebo que se investe melhor. Evoluímos muito desde o tempo em que o sucesso de uma campanha se media pela quantidade de flyers encontrados nos caixotes do lixo perto do local de distribuição. Mas, quanto mais temos medições e algoritmos, mais o que realmente importa é que "value is a feeling, not a calculation". 

Como é que se convence uma marca a 'descarrilar' e arriscar numa nova abordagem ao mercado? 
Com o exemplo de uma conversa do líder coreano Kim Jong-un com um seu soldado: "Launch? I said lunch!" Sim, erros de percepção também estão a acontecer com a sua marca, o seu produto, o seu negócio. Uma marca não é o que nós dizemos que é, não é o que queremos que seja, é o que o consumidor percepciona. Construir essa percepção é uma viagem pelas variáveis, é um passeio por todos os porquês, é ter um passaporte com uma história para contar.

Podem encontrá-la aqui: 
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