#85 Alice Bernardo

14 agosto, 2017


Alice colocou de parte a carreira na arquitetura para se dedicar à investigação de técnicas de produção artesanal e semi-industrial portuguesas. Fez assim nascer o projeto Saber Fazer onde investiga e divulga o trabalho artesanal em Portugal e as pessoas que o executam.

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Investigadora têxtil que criou o Saber Fazer como forma de estudar os ofícios e recursos do seu país e de partilhar o que aprendeu. Sente-se feliz a produzir as suas próprias fibras e a atrair pessoas incautas para os vícios do têxtil.

A licenciatura em Arquitetura foi um erro? 
Uma boa licenciatura em Arquitetura nunca é um erro. É uma formação que, entre muitas outras coisas, nos ensina a trabalhar uma ideia, apurá-la e torná-la real, e isso é algo que é sempre útil.

Há artes a morrer em Portugal? 
Há muito conhecimento e rigor técnico a perder-se, sem dúvida. Não acho que seja uma perda irremediável, mas será necessário um grande esforço para o recuperar!

Alguma técnica que te tenha encantado e que decidiste explorar pessoalmente? 
Comecei pela fiação e rapidamente passei para tudo o que envolve processar as fibras têxteis, que é basicamente tudo o que é desenvolvido nos programas do Saber Fazer. Nos últimos anos tenho-me dedicado a produzir localmente as matérias-primas com que trabalhamos e gosto cada vez mais de controlar pessoalmente estes processos desde a raiz. 

Vemos a nova geração de designers voltar-se para técnicas artesanais no desenvolvimento de produtos. O que achas que mudou para que isso acontecesse? 
Penso que há uma vontade de se voltarem a aproximar dos processos de produção que, na escala artesanal, são mais fáceis de controlar, bem como com a possibilidade de criar produtos diferenciados e em menor escala.

A gestão é um 'saber fazer' que preferias ver de longe? 
Aparentemente, o foco do projecto não está aí, mas na verdade a gestão é fundamental para o trabalho que faço e, portanto, algo que não quero ver de longe. Tenho uma forma muito pessoal de gerir as pessoas com quem colaboro, os programas que desenvolvo e até a investigação técnica. É a alma do projecto!

Podem encontrá-la aqui: 
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