#83 Paula Tavares

12 agosto, 2017


É artista e professora no Ensino Superior. Paula estudou Belas Artes, foi assistente da FBAUP e é atualmente diretora da Escola Superior de Design do IPCA. 

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Uso as redes sociais, maioritariamente de forma profissional e pública. Fui verificar o que tinha online: Artista, Professora e Investigadora.

O rácio de mulheres na liderança no ensino não é exemplar. As escolas podem fazer algo? 
A afirmação está correta e é consensual que muito a fazer. Não só no ensino, mas em todas as áreas. É necessário construir políticas estruturais que possibilitem a igualdade no acesso aos cargos para homens e mulheres, e não estou a falar de cotas, apesar de entender que em determinadas situações são necessárias como contributo para a mudança de paradigma. Portugal, apesar de toda a evolução dos últimos anos continua a ter uma sociedade conservadora que exerce uma pressão imensa sobre as mulheres. Sobre o que é expectável uma mulher ser. Efetivamente a igualdade de género só estará conquistada quando não necessitarmos de falar nela. Há, portanto, um caminho a fazer, mas é responsabilidade de todos nós, todos os dias, fazer por mudar. E o que me parece relevante é que esta mudança não começa na escola, apesar da escola poder contribuir de forma construtiva, mas, julgo que a mudança começa em casa, na educação que damos aos nossos filhos, nomeadamente na organização dos dias e respetivas tarefas assim como formas de estar e agir.

Vemos mais mulheres que homens no ensino superior. Porquê? 
Na minha opinião, deve-se essencialmente ao facto das raparigas atingirem a maturidade muito mais cedo que os rapazes, logo, os programas do ensino de base parecem mais adequados para o sucesso das raparigas. Não quer dizer que elas são melhores que eles, quer dizer que crescem de forma diferente. No entanto, apesar dos alarmes lançados nos últimos anos, em 2016 apenas tínhamos mais 24.165 de raparigas num universo de 356.399 estudantes matriculados nas IES.

A fuga de cérebros começa cada vez mais cedo?
Não tenho dados finais sobre este assunto, mas não tenho essa perceção, pelo contrário, a perceção que tenho é que o ensino superior em Portugal é muito bom e que estamos cada vez melhor a vários níveis. A procura de estudantes ERASMUS pelos ensino superior português é exemplo disso. Claro que há exceções em determinados cursos em que os estudantes portugueses não conseguem entrar, mas parece-me residual.

A arte ou a arte de ensinar? O que vem primeiro?
Efetivamente sou artista, formada em Belas Artes, formação de base e pós-graduada. Iniciei o meu percurso como professora do ensino superior de forma natural, terminei a licenciatura e candidatei-me a um lugar de assistente na FBAUP; nessa mesma altura candidatei-me a doutoramento e concluí-o em tempo útil. O que me assegurou a possibilidade de carreira como professora no ensino superior numa instituição onde podia crescer, o IPCA. A par de ser artista sempre me interessou a partilha que a profissão de professor possibilita. Rapidamente cheguei à conclusão que ser professor é continuar a aprender sempre, desde que se esteja disponível para tal. A direção da escola surgiu como consequência da criação da Escola Superior de Design do IPCA e da confiança depositada em mim para o exercício do cargo, o que muito me honrou e honra. 

Podem encontrá-la aqui: 
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