#78 Iva Viana

07 agosto, 2017


Da China a Nova Iorque e até mesmo nos navios cruzeiro da Disney, os trabalhos de Iva estão espalhados por todo o mundo. Entre o estuque e a escultura é já vista por muitos artesãos como a herdeira de um legado histórico. 

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Iva Viana, de nome e cidade. Estudei Escultura na FBAUP e trabalhei numa empresa francesa de gesso decorativo, onde aprendi muito do que faço agora. Há 4 anos abri o meu atelier e comprei o meu barco de remo. Quero fazer isto até depois dos 90 anos :D

Fugias do gesso e acabaste apaixonada pelo estuque. O que é que te fez mudar de ideias? 
Na faculdade fiz um trabalho com gesso, lembro-me de não ter gostado e de ser sujo. Quando comecei a trabalhar numa empresa especializada em gessos decorativos foi quando percebi a matéria e a técnica dos estucadores. Impossível não ficar apaixonada, mas continuava a ser sujo ;)
Neste momento, já não se trabalha o estuque, é raro. O estuque é uma mistura de cal com gesso que era "corrido" nas próprias obras. Agora todo o trabalho é feito em atelier e depois montado/colado, que é o meu caso, e continua a ser sujo!!!!

É uma arte que está a morrer? 
É uma arte que esteve adormecida e que agora despertou novamente. Houve umas décadas onde o estuque não era aceite. Ou era destruído ou então coberto com placas de pladur para esconder. Agora está a acontecer, na recuperação de algumas casas, ao deitarem este pladur abaixo encontram-se maravilhosos tetos ornamentados que voltam a brilhar. Eu não faço restauro/recuperação, todo o meu trabalho é feito de raiz, portanto funciona como uma nova fase do gesso decorativo que volta a ser introduzido na arquitetura.

Tens trabalhos teus da China a Nova Iorque e até mesmo nos navios cruzeiro da Disney. Ainda assim decidiste em contraciclo da tua geração regressar a Portugal. Passado este tempo continuas a considerar ser a aposta mais acertada? 
Todos os meus trabalhos foram feitos em Portugal, primeiro numa empresa estrangeira sediada em Portugal e depois no atelier próprio. Este ano faço 10 anos que trabalho nesta área. Se formos falar de contraciclo, podemos falar de me ter despedido de um emprego "estável" para investir no meu projeto pessoal, o atelier Iva Viana e até agora ainda não me arrependi. Não quero dizer que tem sido pêra doce, mas foi com toda a certeza uma aposta acertada.

É um trabalho muito físico e bastante masculino. Sentis-te os efeitos do machismo? 
É um trabalho muito físico e talvez por isso considerado de homens, para isto compenso com remo :) Quanto ao machismo, houve uma fase no início, mas não quero fazer disso uma referência do meu trabalho. Na altura resolvi o assunto e agora encontrei o meu espaço e respeito dos meus colegas.

Enquanto artista é difícil desempenhar o papel de comercial? 
Eu divido o meu trabalho em duas partes, uma parte comercial e uma outra artística. A comercial ajuda-me a segurar o atelier quando a artística não acontece. A parte comercial no início foi uma barreira difícil de ultrapassar. O maior preconceito era meu mas quando decidi abandonar a empresa e abrir o meu atelier percebi que o tinha de fazer para chegar onde queria.
Sinceramente, não imagino ninguém a vender o meu trabalho. Tenho de ser eu ;)

Podem encontrá-la aqui: 
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