#74 Ana Maio

03 agosto, 2017


No Porto há um espaço para matar o desejo de pavlovas e é a ela que temos que agradecer. Empreendedora destemida, Ana lançou a Missa Pavlova no Facebook e em pouco tempo saltou para os mercados urbanos e daí para o espaço Almada 13, na Baixa do Porto. 

Se este fosse o teu perfil de uma qualquer rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
É sempre muito difícil falar sobre mim, escrever então, muito mais! Sou uma sonhadora mas com os pés no chão. 

Uma sobremesa de origem australiana, com nome russo, pronta a saborear na invicta. Se lhe juntarmos um sotaque brasileiro e cantarolamos à Carmen Miranda: afinal, "o que é que a pavlova tem"? 
A pavlova tem a leveza, a frescura e o equilíbrio que eu procuro quando como uma sobremesa. E eu sou daquelas que num restaurante escolho quase sempre primeiro a sobremesa que o prato principal!

As pavlovas são visualmente apetecíveis mas, e continuando nos brasileirismos, têm ar de 'não são fácil, viu?'. Foi preciso muito tempo para dominar esta doçura? 
Parece mentira o que vou contar... a pavlova surgiu quase que de um sonho se tratasse, foi numa noite que estava meia a dormir meia acordada, e já tinha decidido que queria ser empreendedora na área da pastelaria, mas ainda não tinha o produto. Já fazia pavlovas na brincadeira para jantares de família e amigos e naquela noite acordei com a pavlova na cabeça, e nunca mais saiu. No dia seguinte disse à minha mãe, que é o meu braço direito, esquerdo... e ela disse "És maluca". Foi a melhor coisa que ela podia ter feito porque geralmente sou mesmo teimosa quando me contrariam. A partir desse dia começou a maratona das pavlovas. Dois anos depois, muitas receitas, muitas tentativas falhadas, muitas pavlovas desfeitas e partidas, muitos mercados, conseguimos fazer a Miss Pavlova perfeita para levar a um jantar de amigos, para um aniversário e sobretudo para fazermos os nossos clientes sentirem-se especiais. 

A tua história de resiliência e trabalho contínuo é aquilo que muitos chamam de um sucesso à moda do norte. Estar fora da capital dá outro sabor ao empreendedorismo? 
Eu comecei a trabalhar muito novinha, tinha 16 anos quando comecei no Plus, depois passei por pastelarias e pelo Jumbo enquanto estava na faculdade. Acredito que foi este percurso que me deu a maturidade que precisava para conseguir criar o meu próprio negócio aos 26 anos de idade. Não sei se ajudou ser do norte porque acho que teria o mesmo percurso se estivesse noutra zona do país, mas que tem um toque agridoce ter a minha primeira loja na minha cidade do coração, o Porto, lá isso tem. Também é uma bela conquista ter noção que a Miss Pavlova já tem alguma notoriedade no resto do país pois faz-nos acreditar que já não somos um negócio local. A capital? Lá chegaremos! 

A Miss Pavlova agora também é uma Miss casamenteira. É fácil concretizar o espírito de um bolo de noiva numa 'pavlova de noiva'? 
Os casamentos são uma área de negócio que ainda não exploramos, os que fazemos são para clientes que procuram bolos de noiva diferentes e que nos contactam com esse pedido. E é tão bom podermos fazer parte de um momento tão especial como o dia do casamento, mas não é fácil. A proposta criativa normalmente é muito bem aceite porque a pavlova já é branca e tentamos sempre que seja mesmo personalizada e ao gosto do cliente. A parte mais complicada é a logística de entrega, de preparação e montagem, mas todo o esforço vale a pena quando depois vemos a satisfação e o agradecimento dos noivos por contribuirmos para tornar este dia ainda mais especial.

O photoshop e o indesign foram definitivamente trocados pelo avental e batedeira? 
Esta é uma pergunta bem certeira que eu própria já me questionei algumas vezes. Ser empreendedora é muito mais do que ser pasteleira ou designer e no fim de contas foi por isso que escolhi esta "profissão". Sempre fui muito eclética e ser só designer não me realizou, por isso fui especializar-me em marcas e decidi criar a Miss Pavlova. A verdade é que gosto mesmo de pôr a mão na massa, mas não tendo tanto tempo para isso como gostaria, não abdico de fazer parte do controlo de qualidade, da inovação e desenvolvimento de novos produtos. A minha visão de empreendedora é ser designer, pasteleira, criativa, gestora, comunicadora, líder, inspiradora e muito mais que estou certa que ainda vou descobrir.

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Foto: 
Elisa Simões 
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