#100 Elisabete Jacinto

29 agosto, 2017


É a única mulher no mundo a participar em provas de todo-o-terreno em camião e foi a primeira portuguesa a enfrentar o mítico Paris-Dakar em moto conseguindo triunfar contra adversárias detentoras de um enorme palmarés. Elisabete ruma sempre em direção ao topo da classificação em todas as competições em que participa e os resultados estão à vista. 

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Elisabete Jacinto, piloto de todo-o-terreno no passado em moto, atualmente em camião. Única mulher do mundo a participar em provas internacionais de todo-o-terreno em camião. Licenciada em Geografia, antiga professora do ensino básico e secundário, autora de manuais escolares e livros de aventuras. Casada e apaixonada pelo seu marido Jorge Gil.

Completar um Dakar de mota foi a coisa mais difícil a que já te propuseste? 
… e foi a coisa mais difícil que consegui fazer, embora já tenha feito muitas outras extremamente difíceis depois dessa. Contudo, fazer o Dakar de moto foi de uma exigência extrema, quer em termos físicos, psicológicos ou logísticos. Consegui fazer aquilo a que muitos se propuseram e poucos conseguiram. Quando terminei fiquei com a certeza de que poderia fazer na vida tudo o que quisesse!

Em pleno deserto, sem equipa de apoio e depois de caíres dezenas de vezes, como é que se encontra o 'oásis' para continuar?
Nunca lhe chamaria oásis, porque associamos esta palavra à ideia de paragem, acalmia, de abrigo!… Pelo contrário, eu precisei de muita força, muita energia e muito ânimo para continuar. Encontrei-os no meu espírito de sacrifício e na minha capacidade de lutar pelos objetivos que considero válidos. Na necessidade de recompensar todos aqueles que estiveram do meu lado com o meu sucesso. Ali o meu objetivo e o meu sucesso eram, nitidamente, terminar o que era o maior e mais difícil rali do mundo naquela altura. 

Tirar a carta de camião em outubro e fazer o Dakar em janeiro não foi um bocadinho de loucura a mais? 
Talvez não… foi sentido prático! A vida oferece-nos oportunidades e cabe-nos a nós a opção de as aproveitar ou não. É essa decisão (de tirar ou não partido das oportunidades) que acaba por definir o rumo na nossa vida. Eu queria fazer o Dakar de camião. Quaisquer que fossem as circunstâncias, a primeira vez seria sempre desastrosa pois seria a única forma de aprender. Quando me surgiu a oportunidade de participar aproveitei. Apliquei tudo o que sabia… e, ao longo do mesmo, aprendi tudo o que necessitava de saber para ter sucesso no futuro. Embora tivesse sido um mau Dakar em termos desportivos foi uma aprendizagem excelente. Faço hoje um balanço muito positivo dessa experiência. E depois… não poderia ter sido de outra maneira!

Três dias e duas noites parada e sem água no deserto da Mauritânia... o que não nos mata torna-nos mais fortes? 
Nós somos fortes... mas o conforto das nossas vidas convence-nos de que somos fracos… e que as situações difíceis são para serem enfrentadas de pantufas quando estamos sentados no sofá a ver televisão. Sim, para responder à pergunta, ficamos sempre mais fortes!... porque tomamos consciência de que a dificuldade estava em nós e não na situação. Afinal descobrimos que somos capazes… do que consideramos impossível!

O que é que ainda te faz correr? 
O gozo da superação. O gozo de perceber que aquilo que antes considerava um sonho impossível de realizar está ali ao meu alcance!

Podem encontrá-la aqui: 
100 days of women © 2017