#71 Maria Conceição

31 julho, 2017


Foi a primeira mulher portuguesa a subir ao topo do Evereste, caminhou até ao Polo Norte e completou seis 'ironman' em menos de 2 meses. Maria vive no Dubai, criou a Fundação Maria Cristina e desafia-se a si própria para ajudar crianças no Bangladesh. 

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
"Ajudem-nos a ajudar"

Os médicos dizem-te que não tens corpo de atleta mas os resultados estão à vista. Que energia é essa que te move? 
A possibilidade de mudar a vida daquelas crianças, jovens e famílias. Quando estou muito perto do limite visualizo mentalmente os seus sorrisos e isso dá-me energia para continuar.

O que se sente no 'topo do mundo'? 
Eu senti preocupação, o 'topo do mundo' pode ser como um inferno... e sem saber nada dos meus guias de expedição que não puderam subir comigo, senti fundamentalmente muita preocupação.

Seis 'ironman' em dois meses... a luta é física ou mental? 
Eu creio que a mente manda no corpo, portanto embora seja um desafio muito físico acaba por ser sobretudo mental.

Caminhaste até ao Polo Norte. Não há desafios impossíveis para ajudar crianças? 
Curioso que me coloques essa questão... depois de tantos desafios... aparentemente impossíveis e que consegui superar... o Canal da Mancha está a mostrar-se particularmente difícil... mas vou conseguir... não sei quando, mas sei que vou!!

Se 1 milhão de portugueses doasse o valor de um café, 127 crianças teriam a sua educação garantida. Contas fáceis, objetivo difícil. O que falha afinal na equação? 
Nem sempre conseguimos que a nossa mensagem chegue da devida forma a cada um dos portugueses... muitos questionam estarmos a ajudar no Bangladesh quando também há pobreza em Portugal. Verdade que há, mas a pobreza no Bangladesh acaba por ser do mais desumano possível, um limiar de pobreza que nem nos nossos piores sonhos poderíamos imaginar... Depois uma criança será sempre uma criança, independentemente da sua etnia ou nacionalidade... aquilo em que consiste o dia a dia de uma criança portuguesa acaba por ser como que um sonho para uma criança do Bangladesh... creio que para que a equação deixe de falhar as pessoas devem refletir sobre os limiares de pobreza. Todavia o desafio maior, a maior dificuldade reside em gerir uma caridade num país tão pobre como o Bangladesh, tentando mudar mentalidades. Esse é sim o grande desafio.

Podem encontrá-la aqui: 
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