#70 Sónia Costa

30 julho, 2017


É consultora de Social Media e Content Marketing e o seu trabalho já lhe valeu a oportunidade de integrar a equipa da Emirates mesmo sem enviar CV. Sónia colabora na organização do TEDxPorto e com um bocadinho de sorte ainda podemos aprender com ela na Flag ou Universidade Lusófona. 

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Sou a Sónia, casada com o Pedro, natural do Porto, faço parte da organização do incomparável TEDxPorto e tenho a felicidade de poder trabalhar como formadora e consultora em Social Media e Content Marketing, uma área que me apaixona e que já me permitiu trabalhar em Serralves (Porto), na Agência Abreu (Lisboa) e no Emirates Group (Dubai).
No meu perfil de Facebook escrevi uma frase que adoro do filme The Matrix: "Unfortunately, no one can be told who Sónia is. You have to see it for yourself." Eu acredito muito nisto, seja o que for que as outras pessoas pensem ou acreditem, seja o que for que eu partilhe nas minhas redes sociais ou que coloque na minha biografia, ainda nada se equipara a conhecermos cada pessoa in real life. 

Como é que se consegue emprego na Emirates sem enviar CV?
Através das redes sociais. Eu aderi ao LinkedIn há muitos anos e sinceramente é a minha rede social favorita. A minha abordagem ao LinkedIn é esta: o LinkedIn serve para divulgar o meu CV, logo para mim é uma "loja online" aberta 24/7, disponível para o mundo todo, e que vende as minhas competências profissionais. Tenho sempre o meu perfil atualizado com o que estou a fazer no momento, fotografias em contexto profissional, links para artigos que escrevi, vídeos e recomendações, e procuro sempre partilhar informação relevante para a minha rede de contactos, composta maioritariamente por pessoas da minha área e que de outra forma eu nunca iria conhecer nem alcançar. E isso deu frutos, pois quando a Emirates precisou de um Social Media Specialist encontrou o meu perfil no LinkedIn e a responsável dos recursos humanos abordou-me diretamente. Eu nem sabia que eles queriam contratar alguém com o meu perfil, mas depois de ter passado todas as entrevistas e de ter ficado com o trabalho, apercebi-me com o tempo que eu era exatamente a pessoa que eles precisavam - e o LinkedIn já sabia disso há muito tempo! 

A ideia que temos do Dubai é que quando algo se partilha e se torna acessível ao público, perde o interesse já que deixa de ser exclusivo. Como é que se trabalha uma rede social com estas limitações? 
Sem medo de arriscar e de improvisar, sendo muito rápidos a reagir e (neste ponto tive sorte) tendo duas grandes amigas locais (Emiratis) que me iam explicando como funciona a mentalidade dos homens e das mulheres daquela região. Viver e trabalhar no Dubai foi acima de tudo uma lição de vida, sobre as pessoas, os preconceitos e o nosso hábito de assumirmos coisas. Claro que o Dubai é um local que milhões de pessoas visitam anualmente, pelo que não faltam criadores de conteúdos de alta qualidade com os quais podemos trabalhar. Por outro lado, a Emirates é uma empresa onde trabalham quase 100 000 pessoas, todas elas também com histórias pessoais e profissionais incríveis que podemos trabalhar para as redes sociais. Quanto mais centrei o meu trabalho nas pessoas, melhores resultados tive, o que em redes sociais faz todo o sentido.

Como é que se lida com os críticos de sofá? 
Admito que não é fácil... O trabalho de um Social Media Specialist é público. Qualquer pessoa desde os colegas, diretores, donos da empresa, aos amigos e familiares, todos conseguem ver o nosso trabalho e todos têm uma opinião. Depois temos alguns colegas de profissão que também estão sempre atentos ao que as outras marcas fazem nas redes sociais para serem os primeiros a descobrir erros e a criticar, esquecendo-se (talvez) que o mercado é muito pequeno e nos conhecemos a todos. Finalmente, temos os indignados profissionais das redes sociais, uma categoria profissional que em Portugal está em crescimento. Eu procuro sempre não alimentar os trolls, não entrar em guerras de caixas de comentários e direcionar o meu trabalho no sentido de criar comunidades fortes que defendam a marca em caso de crítica. Acima de tudo não podemos querer agradar a todos, porque nunca o vamos conseguir. Em vez disso, devemos tentar encontrar a nossa tribo e criar com ela uma ligação forte e relevante, gerando valor.

Faz o que eu partilho, não faças o que eu faço. Temos cada vez mais uma 'second life' online?Totalmente. O que partilhamos nas redes sociais deveria ser uma narrativa, uma história que cada um constrói para a sua vida. Cada vez conheço mais pessoas que o fazem, que partilham posts totalmente estratégicos nas suas redes sociais, em vez daquela partilha genuína e natural do que estão realmente a fazer naquele momento. Por motivos de segurança e de privacidade, até faz sentido que as pessoas não sejam demasiado transparentes em relação às partilhas que fazem das suas vidas, nomeadamente quando envolvem os filhos pequenos e o local onde vivem. Muitas pessoas criticam o facto de no Facebook parecer que os amigos todos têm uma vida fantástica e eu pergunto: qual é o mal disso? Eu fico feliz com a felicidade dos outros. 

Ainda há empresas que fogem das redes sociais? 
Há muitas empresas que ainda não aderiram como deve ser às redes sociais porque temem a transparência que uma rede social proporciona e a proximidade que cria com a comunidade. Muitas empresas ainda gostam de ser difíceis de contactar. Outras tantas ainda usam as redes sociais como canais de comunicação unilaterais, em vez de promoverem o diálogo e a interação. Eu estou convencida que as novas gerações, que vivem coladas ao telemóvel e que procuram gratificação instantânea, não vão dar hipótese às empresas que se mantiverem assim. Pela minha experiência, constato que felizmente existem muitas empresas com enorme potencial que, antes pelo contrário, querem estar presentes nas redes sociais e querem fazê-lo bem, mas não sabem como, precisam da ajuda de profissionais bem formados. E isto são boas notícias, tanto para os profissionais como para os estudantes da área.

Podem encontrá-la aqui: 
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