#68 Sofia Neves

28 julho, 2017


Sofia nasceu em Fátima e decidiu trazer mais cor à fé. Criou a Treze e tem estado a modernizar o mercado das figuras religiosas dando-lhes um toque de design e transformando-as em objetos decorativos que agradam até quem não é religioso. 

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?

Sofia, nascida na geração de 82 e a viver em Fátima. A aprender a viver e a conquistar os bons momentos da vida! Sempre na companhia das pessoas que mais gosta e de coisas bonitas. Uma jovem empreendedora.

A fé também pode ter cor?
Claro que sim! Se és uma pessoa cheia de vida e tens absoluta confiança no que acreditas tens a forma incondicional a isso. Tens a tua vida com cor e a tua fé colorida!

Alguém se sentiu ofendido pela contemporaneidade que trazes à religião?
Até à data ainda ninguém veio ter comigo :) O que faço na Treze é criar e produzir artigos que façam renascer valores antigos mas necessários nos dias de hoje. É certo que alterei e reinventei a maneira de os comunicar.... mas creio que é uma mais valia. Conseguir falar destas peças de uma forma mais contemporânea, mais jovem e atual é conviver harmoniosamente e existir da mesma maneira, e se consigo chegar às gerações mais velhas e mais novas é bom! :D É sinal que o "esforço" resulta. 
E sim, o feedback tem sido positivo por parte das diferentes gerações.

A Treze é a irmã mais nova de uma marca de artigos religiosos com mais de 30 anos. É uma forma de também piscar o olho às novas gerações? 
Vou "brincar" e responder: "um olho no burro e outro no cigano!" Mas passa por aí! 
Quando aceitei vir trabalhar com os meus pais, a criação da marca Treze foi sem dúvida uma forma de me motivar e trabalhar com uma das coisas que mais gosto de fazer: comunicar  entenda-se o tal piscar de olhos! Ora, eu sou jovem, e a marca ia com certeza fazê-lo com as gerações mais novas.

Todos pensamos que o nome do projeto surgiu pela ligação a Fátima, mas na verdade é o número da caixa de correio dos teus pais... estaria 'predestinado'? 
Esta história é engraçada! Quando avancei para a criação do nome vinham 1001 à ideia mas nenhum satisfazia. Estava a criar um projeto 100% português e por isso o nome tinha mesmo de ser na nossa língua. Um dia estava à espera da minha mãe para ir almoçar quando reparei no número da caixa de correio da fábrica. O nº 13. Fez-se luz!! Associar o número às datas comemorativas das aparições foi inevitável! Mas não quis o nome em forma numérica. Achava que se tornava óbvio demais. Tentei perceber se de alguma forma podia explorar mais aquilo... até que cheguei à forma extensa, onde ironicamente, se deixarmos "cair" a consoante "T" lemos a palavra "reze", que é um dos objetivos da marca  incentivar à prática da prece. 
Assim, prefiro acreditar que sim! Torna o meu trabalho mais desafiante e por consequência mais motivador e divertido.

Tal como a fé, o caminho do empreendedorismo também é tortuoso? 
É. E neste momento, sinto que é mais por se ouvir falar tanto em empreendedorismo feminino. Parece logo que é uma coisa difícil (ainda) de existir! No entanto, em percursos de fé quando chegamos ao "fim" temos a recompensa garantida. No caminho do empreendedorismo às vezes parece que as coisas não são bem assim mas, acredito que num futuro próximo falar de empreendedorismo  feminino ou não  e praticá-lo tornar-se-á mais fácil e menos tabu. Nós somos a nova geração e somos mais avessos à resistência. Queremos inovação e evolução, e aprendemos a lidar facilmente com a mudança... Por isso, mesmo que neste caminho tenha de continuar a quebrar barreiras que assim seja! O essencial é querer, fazer por isso e acreditar!

Podem encontrá-la aqui: 
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