#62 Tamara Alves

22 julho, 2017


Ainda não sabia andar e já desenhava galinhas. Tamara é uma artista plástica que utiliza suportes com caraterísticas multifacetadas, cruza a pintura com a ilustração e o graffiti, a instalação com a performance. Inspirações? A cidade.

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Sou ilustradora em variados suportes, desde o papel, passando pela parede e terminando na pele. Sempre tive dificuldade em escrever sobre mim, acabei de ir espreitar ao meu website ver o que dizia nessa secção e por isso acabo por repetir as palavras de quem escreveu que no meu trabalho há um devir animal, uma paixão e sensações experimentadas, algo visceral... Gosto de pensar que isso acontece.

As ruas também são das miúdas? 
As ruas são de todos e claro que são das miúdas, inspirada nas palavras da sábia Patti Smith: quando pinto não penso em mim como mulher mas como artista.

Viver em Birmingham teve influência na tua linguagem visual? 
Teve bastante, a linguagem urbana e a necessidade de ir para a rua era algo que lá já estavam muito mais entranhadas do que cá, falo do ano 2005 em que ainda não havia Galeria de Arte Urbana ou o boom da street art ainda não tinha acontecido, claro. Trazer a estética do graffiti e da cidade para os meus trabalhos enquanto estudante de artes plásticas foi fácil de o fazer lá, aqui a luta foi mais dura.

As ruas de Lisboa são uma boa galeria? 
São excelentes, há um sentimento urbano mas bairrista, a cidade ainda não sente um peso do cimento brutal como outras cidades, permanece ainda um romantismo, um fado só nosso.

Ainda desenhas galinhas? 
Ahahah, quando gozo comigo própria faço as galinhas. Por acaso nunca foi um animal que peguei. Fazia sentido na altura porque na zona onde vivia, os meus vizinhos criavam animais, entre eles cabras e galinhas. Hoje em dia como vivo rodeada de lobos na cidade desenho os predadores.

O que te define melhor: urban artist, ilustradora, tatuadora? 
Acho que no inverno sou ilustradora e no verão sou das ruas, infelizmente estes trabalhos são um pouco sazonais para mim, uma espécie de hibernação. Gostava de ter mais tempo para tatuar e não tenho tido muito por isso vou optar por dizer que a tatuagem está em terceiro plano na minha vida.

Podem encontrá-la aqui: 
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