#55 Mariana Ribeiro

15 julho, 2017


Naquela que seria apenas uma audição de teste, Mariana ficou entre as 20 melhores bailarinas em todo o mundo que tentavam ingressar na Northern Ballet School. Um lugar que lhe valeu uma bolsa de estudos e a possibilidade de estudar dança numa das mais prestigiadas escolas internacionais. 

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Mariana Ribeiro, 21 anos, bailarina. Sonhadora e inquieta, com muita vontade de aprender e conhecer o mundo. Apaixonada pelas artes, aventuras e novos desafios.

Ballet e Portugal não combinam?
Portugal e a Dança têm uma relação complicada. Embora a qualidade e o nível do ensino privado em dança no nosso país esteja a melhorar consideravelmente, fazer carreira na dança em Portugal não é tarefa fácil. Crianças e jovens bailarinos e os seus professores investem bastante tempo e dinheiro numa arte muito pouco apreciada pelo público em geral, no nosso país. Contudo, o mérito é constantemente reconhecido nas competições de dança internacionais, sendo muitos alunos premiados com bolsas de estudo para as melhores academias de dança do mundo.

Sempre soubeste que querias ser bailarina? 
Comecei a dançar jazz aos 11 anos e ballet ainda mais tarde, aos 13. Começou como um hobbie, mas rapidamente percebi que seria mais do que isso. Inicialmente o objetivo era tornar-me professora de dança, mas felizmente as oportunidades surgiram e foi possível sonhar mais alto.

Ir para fora do país, sozinha aos 17 anos é mais desconfortável que caminhar em pontas? 
Ir para fora do país, sozinha, aos 17 anos é mais desconfortável do que caminhar em pontas. Mas tanto da vida como na dança, só nos sentimos realizados quando nos colocamos à prova e nos superamos. Nunca gostei de viver na minha zona de conforto, acredito que a verdadeira magia está fora dela. Foi uma mudança muito radical da minha vida. De repente estava a viver com pessoas que não conhecia, numa grande cidade, a dançar cerca de 7 horas diariamente. Foram 3 anos de muito trabalho e sacrifícios a todos os níveis, mas sem dúvida foi uma experiência incrível que me moldou como pessoa e como bailarina. Tive o prazer de aprender com os melhores professores e a sorte de fazer amizades para a vida.

Há uma polémica constante no ballet associado ao padrão físico. Já se sentem diferenças ou o corpo magro e sem curvas ainda é o privilegiado? 
A dança é uma arte expressa pelo corpo e por isso é inevitável não associar aos padrões de beleza. Por isso, as companhias de dança (e o público) valorizam bastante o aspeto físico do bailarino/bailarina. Em termos de ballet clássico, os padrões são mais rigorosos: corpo magro, membros longos e facilidades físicas não acessíveis ao comum dos mortais. Contudo, o que é realmente importante é manter o corpo saudável, nutrido e tonificado, perceber que cada pessoa é diferente e uma dieta equilibrada é o caminho para atingir a melhor versão de nós próprios.

O curso na Northern está terminado. O que se segue?
O curso na Northern Ballet School terminou em julho de 2016. Em janeiro de 2017 comecei a trabalhar com a companhia Tui Cruises - Mein Schiff como bailarina. Tenho a sorte de ser paga para pisar o palco e dançar diariamente para centenas de pessoas, e ainda acordar todos os dias numa cidade diferente e explorar países e culturas.

Podem encontrá-la aqui: 
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