#49 Catarina de Almeida Brito

09 julho, 2017


Catarina cresceu em Bruxelas, estudou arquitetura em Inglaterra e trabalhou em Espanha, Portugal, Holanda e França. Ela própria uma migrante, agora a viver em Bergen, Noruega, criou a revista independente internacional Migrant Journal, um publicação que explora a circulação de pessoas, bens, informação, flora e fauna pelo mundo e o impacto que estas migrações têm na vida contemporânea. 

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Sou uma arquiteta e jornalista a viver em Bergen, na Noruega, desde janeiro. Os meus interesses principais são a arquitetura e a diplomacia. Estou em busca do significado dos termos 'diplomacia da arquitetura’ e 'arquitetura da diplomacia’.

Qual é a primeira revista que te lembras de ler/acompanhar? 
Lembro-me muito bem da primeira revista que comprei com frequência—foi uma britânica chamada NME, sobre música rock-pop. Interessei-me nesta revista durante a minha adolescência, fez-me descobrir nova música e bandas que alargaram o horizonte que eu conhecia até então.

A primeira edição da Migrant Journal teve que ser reimpressa porque os exemplares esgotaram rapidamente. Depois da campanha de crowdfunding apercebeste-te do valor do que tinhas criado?
Nesse momento a equipa apercebeu-se da importância do projeto, não só para cada um de nós, mas sobretudo para uma sociedade cada vez mais sujeita a imagens pejorativas sobre o tema da migração. A revista veio proporcionar uma plataforma para a discussão deste tema utilizando perspetivas diversas—olhando para o mundo através das suas migrações.

Enquanto designer/arquiteta o papel de editora fez-te ter outra perspetiva? 
Como arquiteta a minha atitude é sempre a de realçar as melhores qualidades de várias disciplinas e combiná-las sob um só teto, de forma a contar uma história de forma dinâmica, animada e completa, utilizando várias perspetivas. No caso da Migrant Journal, fizemo-lo ao juntar jornalistas, académicos, cientistas, artistas, diplomatas, arquitetos numa só plataforma, não só para discutir um assunto importante mas também para proporcionar uma perspetiva diferente do mundo, um mundo em mutação e em que as migrações são um motor de mudança.

Como vês o renascer das publicações impressas?
Hoje em dia estamos expostos a uma quantidade absurda de informação—seja no espaço urbano, na televisão, no mundo infinito da internet. Acho que cada vez mais há procura e necessidade de curadoria na informação. As publicações impressas independentes são um exponente de informação ‘inteligentemente organizada’, preparada cautelosamente para diversos públicos. Uma revista pode tornar-se um repositório ‘físico’ de conhecimento sobre um dado assunto numa dada altura.

Já notas influências nórdicas no teu trabalho?
Noto. A cultura norueguesa e a sua história têm-me ensinado o valor da natureza que nos rodeia. Desde que vim viver para este fiorde norueguês apercebo-me da importância de manter perspetiva sobre as nossas vidas urbanas, por vezes com tendências fúteis. Penso que a beleza de Bergen e a sua cultura alimentam uma atitude renovada e pausada, mais inspirada, para projetos e colaborações futuras.

Podem encontrá-la aqui: 
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