#47 Patrícia de Melo Moreira

07 julho, 2017


Patrícia é uma das jovens fotojornalistas portuguesas a dar cartas lá fora. Colaboradora da agência France-Press (AFP) em Portugal, vê regularmente as suas fotografias ganharem destaque no New York Times, El Pais ou The Guardian. 

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
O que escrevo sempre: Stringer Photojournalist for AFP 
Não gosto muito de expor a minha vida pessoal ou traços da minha personalidade em redes sociais. Gosto sim de partilhar com amigos, família, conhecidos e outros seguidores, aquilo que faço que é o meu trabalho como fotojornalista e um pouco a forma como vejo o mundo. 

A fotografia é uma obsessão saudável? 
Sim, sem dúvida, embora por vezes também seja bom colocar a fotografia de lado e ver o mundo com os nossos próprios olhos. Digo isto porque a fotografia é a minha profissão e por vezes sinto a necessidade de me afastar e não pensar em fotografar. 

Muitos afirmam que fotojornalista é uma das profissões mais perigosas do mundo e já sentiste na pele as agressões a que podes estar sujeita. Como lidas com isso para continuar? 
Acho que ser fotojornalista é uma das mais belas profissões do mundo, mas sim, tem os seus perigos. Não necessariamente para todos os fotojornalistas, existem uns que estão mais expostos que outros de acordo com a cobertura jornalística que estão a fazer. Eu já passei perigo várias vezes e também já sofri agressões, mas nenhuma delas me impediu de continuar a exercer a minha profissão. Felizmente apenas me tornou mais experiente e consequentemente mais prudente. 

Ver as tuas fotos no The New York Times, El Pais e The Guardian, é...
É sinal que o meu trabalho é reconhecido e tem qualidade, o que também faz com que seja mais exigente comigo própria profissionalmente. 

Como é que se 'vende' histórias de Portugal à AFP?
A AFP é uma agencia internacional de notícias, como tal, qualquer evento ou história tem de ter um interesse internacional mais do que nacional. Pode ser uma história particular ou a cobertura de um evento mas a decisão de fazer a cobertura ou não parte sempre do princípio se tem interesse a nível global. 

Quando podemos ver um projeto teu em nome próprio a ganhar forma?
Essa é uma pergunta que faço a mim própria várias vezes, mais do que gostaria. Gostava muito e já fiz vários esforços para iniciar projetos mas com uma isenção de horário de trabalho e sem contrato laboral é difícil concentrar-me e dedicar-me a um projeto em nome próprio. Neste momento estou concentrada em fazer o melhor trabalho possível para a AFP e aproveitar todas as coisas boas que isso traz, no tempo certo irei de certeza dedicar-me a um projeto em nome próprio, só ainda não sei quando.

Podem encontrá-la aqui: 
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