#44 Filipa Elvas

04 julho, 2017


Foi a única mulher a terminar a maratona da Grande Muralha da China (de 140 atletas apenas 15 chegaram ao fim) e a primeira a cortar a meta da maratona Polar Circle, no Polo Norte. Filipa é Assistente de Bordo na TAP e integrou a equipa de triatlo da companhia, mas é a correr que é feliz e onde não encontra impossíveis. 

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’? 
Cada um de nós faria mais coisas se as julgasse menos impossíveis.

Depois de uma muralha e 20.000 degraus ainda há corridas que te desafiem? 
Claro que sim! Cada maratona que me proponho fazer é sempre um novo desafio!
É como se cada maratona fosse uma 'vida à parte'... dou muito valor à emoção, à alegria e à força interior. Até hoje, não existiu uma maratona em que não tivesse dado tudo de mim. Fiz sempre o melhor que podia. Todas as metas que cruzei até hoje senti o 'dever cumprido' porque, em todas elas tive a certeza de que não podia ter feito melhor em cada minuto.
São dois os meus objetivos em todas as maratonas: dar o melhor de mim, do início ao fim; ser feliz a correr. Posso até cruzar a meta em último lugar mas, se tiver sido feliz e tiver feito o melhor que podia em cada passo, o desafio foi alcançado.

És uma pessoa obstinada? 
Sou... e muito...

A maratona é uma corrida mental? 
Sim, para mim, a maratona é um desafio mental. Desde que corro que tenho a certeza de uma coisa: "A cabeça é o músculo mais importante do meu corpo".
A maratona é um desafio físico mas é, essencialmente, um desafio mental. A nossa cabeça é como se fosse o "motor de propulsão" do nosso corpo, desde o momento da partida até cruzar a meta. 
Surgem várias barreiras emocionais ao longo dos 42km. A barreira mais comum ocorre aos 31km, é o chamado "muro" e muitos atletas desistem da prova nesta fase. Neste momento, o foco, a concentração, a alegria e a força interior são fundamentais para levarem o corpo a continuar o seu caminho. 
Eu concentro-me em cada passo que dou, foco-me no presente, o que significa que, se estiver no quilómetro 8, é nesse quilómetro que dou tudo de mim. E, assim por diante... Sempre focada no momento em que estou, quilómetro a quilómetro. O importante é dar o melhor de mim. Se isso acontecer, cruzo a meta. Estou sempre atenta ao meu corpo, aos meus passos, à minha respiração.

Conciliar a corrida com a tua vida profissional a 30.000 pés de altitude é fácil? 
É muito fácil! Quem tem força de vontade e determinação, tem tudo na vida! É o 'querer' que nos permite realizar sonhos e objetivos... Sou Assistente de Bordo na TAP, onde quer que esteja, vou correr... No fundo, o que importa é calçar os ténis, vestir o equipamento e sair...! Com chuva, com neve, com calor ou frio, o mais importante é começar a correr. É assim que vejo as coisas.
Muitas vezes estou em cidades sem beleza nenhuma, onde o piso e a paisagem são adversos e em todas elas encontro beleza e vontade de percorrer o caminho. Consigo abstrair-me dos fatores negativos, a minha cabeça encarrega-se dessa tarefa! Corro em silêncio, sem música. Uso o mesmo equipamento, já gasto pelo tempo. Somos nós quem faz dos sítios para correr, "sítios ideais"... Do que vale um parque fabuloso em terra batida para correr, com lagos e pássaros diante de nós, se não temos força de vontade nem motivação para sair de casa? Do que vale um "sítio ideal" para correr, se nos falta o "querer"?

Começaste a correr apenas em 2011. O que é que tens na corrida que não tens na natação ou na bicicleta?
Tenho a felicidade, a paz interior...

Podem encontrá-la aqui: 
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