#39 Raquel Graça

29 junho, 2017


A Raquel já queria ser designer quando obrigava a mãe a escolher os produtos com as embalagens mais bonitas do supermercado. É uma apaixonada pelo Porto e entre brincadeiras com os gatos vai tornando mais bonita a blogosfera portuguesa com o We Blog You. 

Se este fosse o teu perfil de uma qualquer rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’? 
Sou a Raquel, sou designer, vivo com 2 gatos e sou um bocadinho obcecada por todos os outros animais do planeta. Partilhamos casa com outro ser humano, responsável por nos mostrar que a vida é muito mais do que aquilo que até agora conhecíamos. Se houver vinho e queijo em cima da mesa, e gatos no colo, está tudo bem! 

Deixar um emprego porque não se é feliz foi uma razão bem aceite por todos? 
Não posso dizer que tenha sido má aceite por alguém, porque ninguém me disse “não o devias fazer” ou “se eu fosse a ti…”. Posso dizer que a minha mãe, por exemplo, questionou e preocupou-se um bocadinho, alguns amigos também podem ter achado que me estava a precipitar, no entanto apoiaram-me sempre. Quem não está no nosso lugar não sabe o que sentimos e o peso que tem uma situação que nos faz mal, e foi sempre isso que tentei explicar e que pesou na minha decisão. Se não me sentia feliz ali deveria sair, mesmo que isso implicasse abdicar de x por mês que até ali recebia.
Não acreditei que ia encontrar o emprego perfeito, não tinha um plano, tinha vontade de ir trabalhar para outro lado qualquer que não fosse aquele. Estava disposta a correr o risco e a andar atrás até que aparecesse uma coisa boa e que merecesse o meu tempo. Acabou por correr tudo muito melhor do que esperava, apesar de não ter sido logo de um momento para o outro.

Quando te lançaste na ideia do We Blog You as tuas inspirações eram sobretudo estrangeiras. Atualmente já há mais referências nacionais na lista? 
Claro que sim! Já temos pessoas a fazer coisas muito bonitas por cá e já sou seguidora de vários blogs portugueses. Acho que com o acesso facilitado a tantas coisas, na internet, a cultura visual melhorou e hoje já há uma leitura diferente das coisas. É um aspeto que me deixa muito feliz até porque facilita o trabalho que temos com alguns clientes.

A cultura visual dos portugueses já viu dias piores? 
É isso mesmo, acredito que já viu dias muito piores! Hoje temos as redes sociais, muitas delas completamente viradas para a imagem, como o Pinterest e o Instagram, e a cultura visual alimenta-se disso mesmo. Quanto mais coisas boas virmos melhor vamos entendê-las e até reproduzi-las, o fenómeno contrário também acontece, e é por isso que nos nossos workshops dizemos sempre para consumirem muitas coisas boas e bem feitas, seja em termos de imagem ou de texto. 

Os blogues já tiveram a morte anunciada várias vezes. Enquanto houver Internet continuaremos a ter blogosfera? 
Eu continuo a achar que sim, o blog vai sobreviver sempre e acredito até que o Facebook morra muito em breve. O blog é um espaço muito próprio, não é uma rede social, tem outras ferramentas e cumpre outras funções. Acredito por isso que continue a ser a ferramenta mais importante em termos de comunicação digital. As redes sociais são um apoio, servem para conduzirmos o nosso público para o local onde de facto partilhamos bom conteúdo e por isso essas podem ir mudando, mas o destino final vai continuar a ser o blog ou o site.

A designer de interiores que há em ti ainda poderá vir a criar um We Furniture You?
Ri-me muito.
É um sonho antigo, um sonho no sentido em que achava até impossível, e que agora começa a ser uma coisa mais possível e provável. Estive tentada a seguir design de interiores mas achei, na altura, que só iria trabalhar com 'dondocas', o que não foi muito apetecível para mim. Se calhar, em 2005, teria acontecido mesmo isso mas agora já há uma procura maior destes serviços e sei que posso trabalhar com pessoas que se identificam comigo e com o que gosto de fazer. 
Muito sinceramente, estou a deixar que as coisas se organizem e aconteçam, sem pressas e sem exigir de mim coisas que agora não quero forçar. Tenho um trabalho a tempo inteiro, ao qual tenho de me dedicar, e comecei há muito pouco tempo a conseguir viver com mais calma e sem tanta ansiedade ou pressão em cima de mim. Por tudo isto, e por estar a trabalhar numa mudança no meu estilo de vida, não quero agora arruinar tudo com mais um grande projeto em cima da mesa e com expetativas que sei que não quero carregar neste momento. 
Estou a fazer um caminho que me está a dar muito prazer, estou finalmente a aprender a viver e a valorizar certas coisas, sei que não quero provar nada a ninguém em termos profissionais, e neste aspecto não quero que nada se quebre. O meu objetivo agora é continuar a estudar Design de Interiores, em casa, com os meus livros, ao meu ritmo, e talvez com uma formação específica. Quero dedicar-me ao que tenho em mãos, porque tenho tido a sorte de ter sempre um trabalho na área, e dar o meu melhor sem que isso afete os meus dias de forma negativa. 
Não quero que este trabalho seja um motivo de ansiedade e stress, como o design gráfico já foi para mim, quero só associá-lo a coisas boas e quero que continue a ser uma espécie de terapia.

Podem encontrá-la aqui: 
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