#31 Susana Godinho

21 junho, 2017


Susana é uma apaixonada pelo têxtil. É responsável de bastidores do Portugal Fashion e Moda Lisboa e criadora da SUGO, a marca que transforma cortiça em tapetes, feitos em teares tradicionais, ecológicos e 100% portugueses. 

Se este fosse o teu perfil de uma qualquer rede social o que escreverias na área 'Sobre ti'? 
Sempre fui uma apaixonada tanto pela área têxtil como da moda, o que fez com que na minha vida pessoal e profissional estas vertentes estivessem sempre no centro das minhas atividades. Depois da minha formação em Design Têxtil pelo CITEX, estagiei em tecelagem, onde surgiu o interesse pelos tecidos e em trabalhar na área de tapeçaria. A minha experiência seguinte colocou-me em contacto durante vários anos com a área de vestuário. Neste âmbito, desde há 15 anos sou uma das responsáveis de bastidores do Portugal Fashion e Moda Lisboa, e em 2010 voltei à área de tapeçaria.

Este SUGO não se come, mas é uma doce surpresa ver toda a curiosidade e interesse à volta dele?
Sim, sobretudo porque é o resultado de um sonho antigo ligado a área da tapeçaria e após o lançamento da primeira coleção, ao perceber que o público tem também um grande interesse por este tipo de produto, é a materialização uma ideia que levou anos a amadurecer. 
Foi e continua a ser surpreendente observar que as pessoas também se identificam com um conceito, no qual está impresso 100% o meu ADN. Na conceção do novo tapete esteve acima de tudo uma vontade de inovar na utilização de matérias-primas e de utilizar materiais ecológicos. Como designer criadora, a cortiça apareceu no topo das matérias-primas mais interessantes para o efeito, uma vez que traz consigo, além das questões de sustentabilidade, uma performance técnica muito interessante neste tipo de produto. 
Para conseguir o melhor resultado tanto a nível da qualidade do produto final como a nível estético, utilizamos a cortiça como matéria-prima diferenciadora, conjugada com lã nacional e com algodão recuperado de grandes produções industriais. Este aspeto diferenciador, através da introdução da cortiça foi uma das vertentes que mais suscitou a curiosidade do cliente final. 

Ser empreendedora a 100% obriga-te a ter sempre os pés bem assentes no chão, neste caso, no tapete? 
Em 2012 iniciei experiências para o desenvolvimento de tapetes recorrendo a materiais pouco comuns, no entanto, dificuldades e contratempos relacionados com as primeiras experiências levaram-me a, momentaneamente, desistir do projeto. Pouco tempo depois surgiu a 1ª call da Amorim Cork Ventures e considerei que seria a oportunidade ideal de trabalhar em estreita parceria com esta incubadora com o objetivo de conseguir lançar a primeira coleção de tapetes de cortiça tecidos por tecelagem. 
Esta evolução ao longo dos anos e as diferentes valências que a empresa exige, fazem com que eu realmente tenha o foco bem definido e os pés bem assentes no chão. 

Tens noção de quantos testes foram necessários até chegares ao produto final? 
Depois de aceder à incubadora, e com a entrada da Sónia Andrade, minha amiga de longa data e sócia, passamos por um longo processo de desenvolvimento de produto, foram adquiridos teares para a produção industrial, assegurados testes de resistência e de durabilidade e, simultaneamente, feito o plano de negócio e a prospeção de mercado, áreas em que o apoio da Amorim Cork Ventures foi da maior importância. Mas só compreendi a necessidade de desenvolver uma série de aspetos técnicos durante este processo de desenvolvimento do produto. 

Será a cortiça como o bacalhau? Há 1001 maneiras de utilizá-la? 
No cômputo geral, estamos perante uma matéria-prima de grande versatilidade, passível de ser conjugada com outros materiais, que cumpre com sucesso, os requisitos do produto a que se destina (tapete) e que tem a mais-valia de ser sustentável, que era um dos objetivos de criação da nossa marca. 
Agora que temos maior conhecimento sobre o mundo da cortiça, creio que existem mil e uma maneiras desta matéria prima tão nacional ser utilizada. Só na área da tecelagem tradicional a nossa experiência indica que é possível oferecer uma coleção versátil, com infinitas possibilidades visuais através da conjugação em tear destas matérias-primas, todas elas com respostas diferentes para o mesmo tipo de ponto. 
Num contexto mais amplo hoje a cortiça já é aplicável em áreas tão distintas como na indústria aeroespacial ou no surf. No futuro creio que surgirão ainda uma infinidade de setores nos quais a cortiça será utilizada, dadas as suas características únicas tanto na vertente técnica como estética. 

A SUGO estava no papel desde 2012 há espera das condições ideais para avançar. Há mais projetos maravilha nesse bloco de notas? 
Como qualquer produto vocacionado para o design de interiores visamos lançar novas coleções em linha com o que é a realidade na área dos tapetes. Este é aliás um dos objetivos da empresa a curto/ médio prazo, assim como a evolução dos produtos agora apresentados. 
A expansão da empresa, a curto e médio prazo, estará associada ao aumento de capacidade de produção e à oferta de novos produtos, assim como o crescimento para os mercados externos e introdução de novos materiais. 
Esta expansão condicionará para além da criação de novas coleções, necessariamente o desenvolvimento de outros projetos, com base na cortiça. Mas sobre este capítulo preferimos não levantar o véu e deixar que as novas propostas surpreendam o mercado.

Podem encontrá-la aqui: 
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