#29 Ana Areias & Raquel Rei

19 junho, 2017


Ana Areias, a.k.a Ana Types Type, e Raquel Rei são designers e da vontade de experimentarem sair das suas zonas de conforto criaram a Madre. Um projeto pessoal de design de produto que já resultou numa primeira coleção, a MESA.

Se este fosse o teu perfil de uma qualquer rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
“We are graphic designers who discovered that traditions need to be heartwarming. That's what we do. We are grateful to the table as the place for honest ideas. Humble at heart. As we toy with the soul, we work the reflection of the marble Scandinavian lust, the one that takes time to settle in and feels great to be part of, because it is rich. We have fun with these objects. We create them to inspire the ones that come after and age forever. They have time to be nourished and built: just like relationships. We are in fashion with function. Madre loves design, that's actually who we are, communicating with ceramics, metal and kindness. We articulate love and care for the sunset with a systematic approach to feel good. Spicy at soul. Sexy in history.”
Madre é um projeto que surge como uma resposta à vontade de experimentar, de sair da zona de conforto, para o encontrar novamente no desconhecido. Como é um projeto pessoal, não temos restrições, o que nos permite materializar ideias que estavam há muito tempo nas nossas gavetas.

Tudo começa e acaba na mesa? 
Sim, pelo menos para nós. Começamos pela coleção MESA por ser o sítio onde passamos grande parte do dia, no trabalho, em casa, com amigos – o sítio de inspiração, de debates, de planos de viagens e de memórias.

A vossa primeira coleção é multifuncional. Cada peça foi desenhada a pensar em várias mesas? 
As peças desta coleção foram pensadas num pequeno sistema onde se relacionam entre si através de encaixes, de relações de escala, de conjugações de materiais e de contrastes. Todas as peças podem ser usadas à mesa: para comer ou petiscar, na secretária do trabalho para arrumar material de escritório, na mesa de cabeceira para pousar anéis… No fundo, o facto de termos desenhado peças muito simples em termos formais, permite que cada um as use à sua maneira e conforme as suas necessidades.

Com a tecnologia o mundo parece girar cade vez mais rápido. Aqui é a 'Madre against the world'?
Não queremos acreditar que estamos contra todo o mundo, mas efetivamente existe uma grande diferença temporal em atividades que se servem primordialmente da tecnologia e atividades analógicas… Como designers gráficas de formação, a nossa atividade principal desenvolve-se na sua maioria em frente ao computador, e nesse sentido, quando estamos na oficina sentimos o tempo a passar (ou não passar) a um compasso completamente diferente. Acreditamos que as próprias peças transparecem esse tempo e desse ponto de vista, sim, gostamos de promover o que se faz devagar.

Fazer algo a 3 dimensões afasta-vos da vossa área de formação. É um escape ou um caminho?
Talvez um pouco das duas. Pelas razões temporais e de caráter físico que referimos, é sem dúvida um escape. No entanto também é um caminho, reflexo de uma vontade consciente de experimentar outras coisas, de dar mais uma dimensão às nossas ideias.

Da Madre nasceu um primeiro filhote de madeira e cerâmica. O que se segue? 
Estamos a trabalhar em produtos novos, que resultam de experiências com materiais diferentes para nós e que vão aparecer em séries muito limitadas, mas mais diversificadas do que o que temos feito até agora.

Podem encontrá-las aqui: 
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