#28 Sara Eustáquio

18 junho, 2017


Aos 17 anos Sara tem no currículo duas curtas metragens e mais de trinta prémios internacionais. Foi aceite na New York Film Academy e prepara-se para integrar o prestigiado California Institute of the Arts, dos estúdios da Disney, frequentado por Tim Burton e Soffia Coppola. 

Consegues que te levem a sério com apenas 17 anos?
Por incrível que pareça, levam-me muito mais a sério enquanto realizadora fora do país.
Noutros países, nos festivais, tratam-me como uma realizadora a sério e avaliam os meus filmes como se de um profissional se tratasse, ou então também já aconteceu criarem prémios extra para mim devido a ser tão nova e mesmo assim mostrar uma certa “maturidade”, como já disseram várias vezes.
Por outro lado, cá em Portugal, já vivi situações um pouco infelizes. Não só em festivais, como o exemplo de dizerem que sou demasiado nova para participar ou que não posso porque não estou inscrita em nenhuma escola de cinema. Já me tentei informar no aluguer de material e soltaram um riso na minha cara quando souberam que ainda estava no secundário e nem sequer tenho uma formação cinematográfica a nível de ensino superior.
Tenho pena desta situação, porque não é por ter a idade que tenho que sou menos capaz ou menos criativa.

Uma curta metragem, três dezenas de prémios internacionais. Tinhas noção do que tinhas em mãos?
Não tinha noção e para ser sincera só agora, passado um ano, é que estou finalmente a assimilar tudo. Para mim, ainda me é estranho pensar no impacto que causou e continua a causar. Fiz sempre tudo por intuição e no início até cheguei a pensar que foi por sorte. No entanto, agora, já depois de ter feito um curso de cinema e mais outra curta metragem, sei que não foi por sorte. Fico muito contente por todo o percurso até agora e só me dá vontade de continuar a trabalhar e a melhorar.

Pertences à chamada 'geração do telemóvel'. Ter uma câmara sempre no bolso ajuda-te a concretizar ideias? 
Na verdade, não uso o telemóvel para filmar assim tanto quanto isso. Claro que por vezes me dá imenso jeito para não me esquecer do que vi num certo local que me parece interessante para uma filmagem futura. Contudo, não me identifico muito com a “geração do telemóvel”. Não troco uma câmara de filmar por um telemóvel.

A experiência na New York Film Academy trouxe-te a técnica que procuravas?
A New York Film Academy ensinou-me muito, mas só me mostrou que ainda tenho muito para aprender e que de facto é esta a área que quero estudar e vir a trabalhar. Claro que foi fundamental para mim. Sei que numa futura curta metragem já vou ter cuidados muito diferentes não só na parte técnica mas como na parte de continuidade da história. No entanto, sei que ainda há muito trabalho pela frente e muito a aprender.

Vais estudar no prestigiado California Institute of the Arts, dos estúdios da Disney, por onde também passaram Tim Burton e Soffia Coppola. Muita pressão ou para já nada de 'fazer filmes'? 
Depende dos dias. Às vezes nem me lembro do prestígio que tem e encaro como uma nova etapa na minha vida e como um empurrão para alcançar os meus sonhos. Outras vezes, lembro-me que de facto é uma universidade muito importante na indústria e que vou ter constantemente vários “olhos” em cima de mim. Sinto-me um bocado pressionada porque sei do que sou capaz de fazer e quero estar à altura, não me quero desiludir a mim mesma. Estas preocupações acabam por passar. Já consegui chegar aqui, portanto se continuar a trabalhar arduamente, quem sabe se não consigo alcançar todos os meus objetivos.

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