#24 Mariana Duarte Silva

14 junho, 2017


Apostou nas indústrias criativas e num espaço multicultural com uma programação variada e estrutura arquitetónica original. O Village Underground deu luta a Mariana mas agora é uma das razões para Lisboa estar na moda. 

Se este fosse o teu perfil de uma qualquer rede social o que escreverias na área 'Sobre ti'? 
Mariana Duarte Silva co-founder do Village Underground Lisboa, mãe do Lucas, Nuno e do Miguel, mulher do Gustavo. 38 anos. Feliz. 

O Village é hoje um dos espaços mais cool de Lisboa. The Guardian, CNN, Condé Nast... todos dizem o mesmo, mas a verdade é que foram precisos 5 anos para que saísse do papel. Foi um projeto precoce para a Lisboa de 2009? 
Podemos dizer que sim... Lisboa estava virada para outro lado, o lado negro da crise, do desemprego, da incerteza e do medo. Fechada ao mundo. Felizmente eu consegui dar-lhe tempo e esperar que ela acordasse para a vida em 2011!

Há quem não perceba o conceito nem o investimento financeiro e pessoal que fizeste, mas o projeto continua a crescer e a atrair atenções. A paixão fala mais alto que o medo de arriscar?
Muito mais. Mas a paixão não é aquela cega, do amor, é uma paixão com algum cuidado em relação aos números que possam estar envolvidos num projeto desta dimensão, com a noção de que há dinheiro e pessoas envolvidas e expectativas que têm de ser geridas.

Os media parecem estar mais atentos à cena cultural e artística no país. Ser empreendedora underground em Portugal ainda é um desafio? 
Empreendedora underground é muito bom! Obrigada. Acho que todo o empreendimento é um desafio. Na área da cultura talvez seja um pouco maior porque a rentabilidade e retorno financeiro não é imediato, tem mais riscos envolvidos, tem mais variáveis que não se controlam.

Com 4 filhos, 3 crianças em casa e o Village, como é um dia normal na vida da Mariana? 
É bonito. E é o caos. É uma dança (com muitos gritos à volta) entre distribuição de tarefas/horários entre mim e meu marido, entre avós, primos e tias. Os dias nunca são normais, mas passam sempre por acordar cheia de sono às 06h41 para calar o mais novo (2 anos) e acender-lhe a TV enquanto eu tento dormir mais um bocado no sofá até às 07h30 (se achavam que eu usava esse tempo para fazer yoga ou meditação, ou ler, não), acordar os dois mais velhos às 08h00 e começar a distribuir pequenos almoços, lavar remelas, lavar dentes, vesti-los e sair de casa, descer elevador, enfiar 3 crianças no carro e seguir para as escolas (uma semana eu, na outra semana o meu marido). Paro para tomar o pequeno almoço sozinha (o meu momento preferido), venho para o Village, trabalho entre contentores, residentes, ideias, almoço com equipa na Cafetaria, e dependendo do dia da semana, saio pelas 17h para ir buscar miúdos à escola ou para ir ao ginásio. Ou para não fazer nada. Chegamos a casa pelas 18h, banhos, gritos, choros, risos, jantares, dormir. Pelo meio há umas saídas à noite com as minhas amigas (preciosas), uns jantares fora com meu marido (românticos) e fins-de-semana em Azeitão a contemplar a Serra da Arrábida.

O Village é um projeto de vida? 
Mais do que isso, é um modo de vida.

Podem encontrá-la aqui: 
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