#23 Marta Cruz

13 junho, 2017


Marta é a criativa por trás da Tara Gallery, uma galeria que não é bem uma galeria, é mais um agente cultural independente, e sem espaço físico. Nem precisa. Marta sabe bem o que quer fazer: agarra em quem acredita e encontra espaços onde expor. Sem rede, seguro ou mesmo sem ganhar nada. Tudo pela Arte, porque True Artist Run Art (TARA). 

Se este fosse o teu perfil de uma qualquer rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
CREATIVE URBAN CURATOR é sem dúvida a minha assinatura. 
Não posso negar que “amo de paixão” a minha formação em Urbanismo e exercer como Arquiteta é algo que faço naturalmente, mas muito cedo percebi que o meu lugar é na criatividade.
Quando frequentei a Faculdade ao início assustei-me porque o meu curso parecia ser muito fechado e logo aí aprendi que as coisas são como nós as queremos ver e fazer e para mim o Urbanismo e a Arquitetura nunca foram aborrecidos porque aprendi rapidamente a usar a minha vertente criativa da forma certa.
Quando me aventurei na Curadoria o mesmo aconteceu.
Resumindo, eu funciono bem a criar algo, a pensar sobre isso, a arranjar soluções criativas para que algo aconteça. Só precisamos de saber como usar as nossas melhores ferramentas e quando.
CREATIVE URBAN CURATOR é um círculo fechado que define o que neste momento faço, me apaixona e me faz ser feliz.

Tens uma 'tara' por arte? 
Tenho! Só posso…é a única resposta que encontro que justifique tudo isso que ando a fazer, o que já fiz e o que penso fazer!

A Tara Gallery é um desafio a ti própria? 
A TARA é o maior desafio que criei até hoje. Como criativa uma das coisas que mais me fascina é o momento em que tenho uma IDEIA! Quando percebo que a mesma pode funcionar, que pode existir, é o êxtase total, é algo que não consigo descrever, mas melhor que isso é quando consigo pôr essa ideia em prática. Para mim uma IDEIA não é mais que uma ideia se não a concretizamos e o desafio está na concretização. O desafio está no processo, a evolução pessoal, emocional e profissional que fazem de mim a pessoa que sou hoje devem-se aos desafios e a TARA é neste momento o meu maior desafio. O criar uma coisa do zero e transformá-la em algo na área que é, com as condições que tenho, a crítica eminente, a explosão da ARTE…a TARA existe faz agora dois anos e meio e é uma IDEIA sem pressas que está a crescer com o tempo que necessita para crescer e se transformar.

Ser curadora é também ser um bocadinho "babysitter" dos artistas. É fácil gerir egos e frustrações?
Ser curadora podem ser muitas coisas dependendo daquilo que queres abraçar e de como o queres fazer. Eu gosto de estar mais presente no processo do artista, o que me aproxima muito mais do mesmo. É essa proximidade que me faz perceber o que se passa “ali”. Mais do que gerir eu prefiro acompanhar, fazer parte…sem ser intrusiva. Esta minha escolha aproxima-me de pessoas muito sensíveis, com personalidades complexas, o que faz com que eu esteja mais atenta e preparada para lidar com essa complexidade. Não é fácil nem difícil: é o que é! Com respeito e atenção tudo se consegue…e com muitas conversas. Acho que esse é o segredo, a comunicação clara, direta e genuína.

Vemos a nova geração de artistas na internet e não em galerias. O conceito de galeria como o conhecemos precisa de uma reinvenção? 
O conceito de galeria já se está a reinventar e muito mais vai acontecer. O processo de transição já começou a ser feito. Alguns rejeitam, outros abraçam e muitos criticam.
Eu faço parte. Nenhuma das visões está errada, é urgente acompanhar o presente e as necessidades que surgem da parte do artista e do público. Todas as vertentes expositivas são válidas desde que apresentem qualidade e estímulo intelectual. Por existir a internet não existem necessariamente mais artistas ou mais exposições. A internet e as redes sociais são ferramentas e como tal devem ser usadas. 
Para que o trabalho tenha qualidade não interessa se o artista existe apenas virtualmente ou no espaço de uma galeria física. O esforço e dedicação para que algo se concretize é o mesmo. Mais importante que a quantidade é a qualidade! 
Sem dúvida que a internet facilita a descoberta, facilita! Facilita a exposição, facilita! Mas por existir não invalida que o percurso não tenha de ser feito ou se saltem alguns passos. O momento pelo qual passamos é de transição para algo que não sabemos o que será, há que estar atento para acompanhar.

A fotografia ainda te pisca o olho? 
Sem dúvida. A fotografia está na base de muita coisa que fiz e que descobri. A fotografia é uma forma de expressão e de inspiração. Desde cedo percebi que a minha linguagem e comunicação são gráficas e fotográficas.
Fotografar é uma forma de pensar e comunicar. Como curadora o meu interesse por fotografia é óbvio. Foco-me bastante na pesquisa de novos fotógrafos e tento observar o que os leva a “criar” as suas imagens. Das coisas que mais gosto é ficar a olhar para uma boa fotografia.

Podem encontrá-la aqui: 

Foto: 
Mike Ghost
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