#22 Ana Pina

12 junho, 2017


Ana iniciou a sua carreira na arquitetura mas foi depois de experimentar a joalharia contemporânea que encontrou aquilo que realmente a faz feliz. Criou a sua própria linha de peças únicas e coleções limitadas e abriu no Porto o Tincal Lab, uma plataforma virtual e atelier de joalharia que ajuda a promover a área. 

Se este fosse o teu perfil de uma qualquer rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’? 
Uma arquiteta que encontrou a sua paixão pela joalharia contemporânea.

Como é que a arquitetura e a joalharia se encontram no teu processo criativo? 
A minha formação em arquitetura está presente em muito do que faço em joalharia, consciente ou inconscientemente, seja no modo como estruturo o meu raciocínio e abordo o meu processo criativo, seja como fonte de inspiração.

A ilustração ainda é parte integrante dos teus dias? 
Continuo a usar o desenho como ferramenta durante o processo de criação, mas já não me dedico a sério à ilustração desde que me assumi como joalheira a tempo inteiro. É muito difícil ter disponibilidade para fazer tudo com a mesma dedicação e para mim o desenho sempre foi algo que fazia mais por prazer do que uma profissão. Na joalharia acabo por combinar as duas vertentes: a paixão e a razão.

A marca Ana Pina é uma espécie de 'one woman show'. O lado pessoal resiste? 
É um equilíbrio complicado! Muitas vezes não sei quando termina a marca e começa a pessoa  penso que quando trabalhamos por conta própria se sente sempre uma grande dificuldade em separar a vida profissional da pessoal, mas quando nos dedicamos a uma área criativa e o nosso trabalho acaba por ser uma extensão de nós próprios talvez se torne ainda mais complicado. O desafio é muito maior, mas a sensação de recompensa também.

A joalharia contemporânea permite todo o tipo de experiências. Que material ou técnica ainda gostarias de incorporar nas tuas criações?
Gostaria muito de experimentar combinar outros materiais com a prata  fiz em Fevereiro um workshop de porcelana aplicada à joalharia com a Trinidad Contreras e gostei imenso das possibilidades estéticas e criativas desta combinação.

'Diamonds are girl's best friends' ou o design já agrega mais valor que o matéria prima?
Claro que quando se trabalha com materiais realmente caros como o ouro ou diamantes é difícil abstrairmo-nos do seu valor, mas sem dúvida que na joalharia contemporânea o que tem para mim mais importância, independentemente do valor material, é o peso emocional, conceptual, simbólico e criativo que cada peça ou coleção carrega, que está diretamente relacionado com a personalidade do seu criador e com a qual nos identificamos ou não, tal como pode acontecer com uma obra de arte.

Podem encontrá-la aqui: 
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