#19 Raquel Lains

09 junho, 2017


Raquel foi para Lisboa estudar Comunicação Cultural e acabou a promover bandas como modo de vida. Quem quer que a sua música chegue aos ouvidos do mundo é com ela que vai falar. No currículo conta com artistas como os Mão Morta, peixe:avião, noiserv, Manuel Fúria ou Pop Dell'Arte.

Se este fosse o teu perfil de uma qualquer rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Como não gosto muito de redes sociais e as utilizo maioritariamente para divulgação das minhas bandas, colocaria a minha apresentação da Let’s Start A Fire.

Um treinador não revela táticas mas, num mercado tão pequeno como o nosso, como é que se promove uma banda? 
Há que entender bem a banda e os objetivos da sua divulgação para delinear a melhor estratégia promocional. Mas, na minha opinião, nunca se deve deixar de lado nenhuma área de media… para mim, todas têm o seu papel que é essencial para atingir determinados objetivos: TV, imprensa escrita, internet, rádios, redes sociais… consoante o tipo de objetivos que se tem, poderemos apostar mais ou menos nalguma destas áreas.

Podemos dizer que os Mão Morta te 'deram uma mão' no início da tua carreira? 
Completamente.
O que me fez realmente dar o salto em frente foi a aposta dos Mão Morta, principalmente do Adolfo, no meu trabalho enquanto freelancer. Foi pelo trabalho que consegui fazer com eles que ganhei a confiança que precisava em apostar em mim própria, tal como eles apostaram.
Enquanto eu trabalhava na Universal, estava a estudar Produção e Marketing Discográfico na ETIC e tive de fazer um trabalho para o módulo de Gestão da Imagem e, enquanto fã dos Mão Morta, quis fazer o meu trabalho sobre eles. Para esse trabalho, o ideal seria conseguir falar com a banda e, mesmo achando que os MM teriam mais que fazer do que perder tempo com uma miudita como eu, tentei a minha sorte e enviei um email. Tive resposta imediata e a minha relação com os Mão Morta começou nesse momento. O Adolfo foi completamente prestável para o meu trabalho e eu só podia retribuir duma única forma: oferecendo-lhes os meus serviços de promotora sempre que precisassem. E a altura da minha oferta foi perfeita! Estavam a preparar o lançamento de Nús e o Adolfo perguntou-me se eu teria interesse em fazer a promoção do disco! É CLARO que eu tinha! E correu muitíssimo bem! Demo-nos muito bem a trabalhar e os resultados foram excelentes! O Adolfo e os Mão Morta apostaram em mim com esse trabalho e sou-lhes eternamente grata por isso! Estou ligada a eles desde essa altura. Sem eles, eu não era o que sou hoje, disso tenho a certeza!

A Let's Start a Fire é aquilo que podemos chamar de 'one woman show'. É um projeto muito teu?
Sim! Trabalho as bandas, discos e editoras que realmente gosto e os eventos com que me identifico, que realmente me dizem alguma coisa, que mexem comigo. O som que trabalho não tem necessariamente de pertencer a um determinado género musical mas tenho de gostar do disco/ banda/ concerto para ele dar a cara pela Let’s Start A Fire e vice-versa.
E cada um deles é trabalhado individualmente, com a atenção e cuidado que desejam e merecem! Portanto, o amor pela música, o prazer de poder trabalhar em algo que amo tanto e com a música que gosto está sempre presente!
E é por essa razão, por ter uma forma muito própria de trabalhar, que o projeto é só meu e que trabalho sozinha.

Ainda se vendem discos? 
Ainda, mas a maior parte dos discos são vendidos cada vez mais nos concertos e, cada vez menos, nas lojas. A aposta no aspeto e no conteúdo dum disco nunca foi tão importante como agora de forma a cativar verdadeiramente quem compra.

Quem é que gostarias de promover? 
Há tantas bandas mas, antes de todas as outras, gostaria de promover os Belle and Sebastian que são a minha banda favorita. Mas há mesmo taaaaaaantas outras…

Podem encontrá-la aqui: 

Foto: 
Vera Marmelo
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