#18 Joana Abreu

08 junho, 2017


Joana é designer e foi enquanto passeava a pé pelo Porto que deu de caras com a ideia que precisava para a sua tese de mestrado. Entre as fachadas de edifícios da cidade, Joana apercebeu-se das inúmeras falhas no revestimento de azulejos. Com madeira, cola e um toque de poesia já 'improvisou' novos azulejos em algumas dezenas de prédios na Baixa do Porto. 

Se este fosse o teu perfil de uma qualquer rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Joana Abreu, 24 anos, caminha pelo Porto e é Designer.  É fanática pelo azulejo e por viver.
Começou a interessar-se pelo azulejo enquanto caminhava nas ruas do Porto e isso levou-a a desenvolver um dos seus projetos, o Preencher Vazios, que pretende chamar a atenção para a falta de preservação do património português. 
Espalha poesia portuguesa pelas fachadas das nossas cidades na tentativa de lhes dar uma nova voz.

Ainda há vazio que te resista? 
Faço a pergunta ao contrário... Será que ainda existe algum vazio a que eu não resista? Apaixono-me por cada lacuna, por cada falha... acho que tenho um mapa mental em que marco os vazios para um dia lhes poder dar alguma alegria! 

Substituis azulejos que foram caindo ou mesmo roubados. Os teus também já sofreram o mesmo?
Sim, sendo o projeto uma intervenção efémera não se sabe ao certo o tempo que ela vai permanecer no espaço público. A questão é, se se roubam os azulejos originais, porquê também não levar os meus? Eles estão bem colados à fachada, mas basta umas mãos mais curiosas. No entanto, eu também gosto de apreciar o que o tempo faz às intervenções. O papel começa a levantar dos lados, algumas pessoas levantam-no e rasgam... outros completam as frases inacabadas... acompanho tudo isto com a partilha nas redes sociais com o hashtag #preenchervazios. 

Quem passa por ti na rua percebe que estás a fazer uma intervenção artística ou já te chamaram à atenção por pensarem que estarias a roubar azulejos?
Não, nunca. Aliás eu quando coloco os meus azulejos raramente peço autorização para tal. Acaba por ser uma surpresa para aqueles que lá na rua habitam. Muitos passam curiosos... ficam a olhar, outros questionam-me sobre "o que é isso que eu faço".

A tese de mestrado foi concluída com sucesso? 
A tese de mestrado foi simplesmente um fecho de um ciclo. Acho que a tese não é mais que uma parte escrita acerca de todas as questões que estão por trás de tudo isto, deveria-se sim dar mais ênfase aos projetos práticos e acima de tudo aos que são concretizados. 

E desenhar o teu próprio padrão de azulejos? É uma possibilidade? 
Sinceramente acho que não. Divirto-me muito mais ao pegar num padrão já existente e alterá-lo, brincando com as cores. Gosto de preservar o padrão original e a partir dele dar asas à imaginação.

Podem encontrá-la aqui: 
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