#16 Elsa Garcia

06 junho, 2017


Elsa é diretora e fundadora da revista Umbigo e jornalista freelancer, tendo colaborado com as revistas Time Out e Ícon, entre outras. Através da Umbigo desenvolve ainda projetos de curadoria e podemos encontrá-la pelas cabines de som onde veste a pele de DJ Twiggy. 

Se este fosse o teu perfil de uma qualquer rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Sou apaixonada pelos anos 60, 70 e 90, pela Beat Generation, pela contra-cultura, pelo cinema de Woody Allen, Stanley Kubrick, Jim Jarmush, Éric Rohmer, Noam Baumbach e François Truffaut. E pela música de P.J Harvey, Pizzicato Five, Laurie Anderson, Velvet Underground, Todd Terje e Caribou. Adoro ler, escrever e fotografar e para mim a vida sem arte não faria qualquer sentido.

Com a cultura a ser espremida em suplementos de jornais, como é que sobrevive uma revista cultural? 
Muito dificilmente e com muita resiliência, todavia concorremos no ano passado a um apoio à internacionalização do Portugal 2020 e conseguimos ganhar. Passados 15 anos a Umbigo é adolescente, já fala inglês e vai viajar. Temos como parceiros a Livraria Sá da Costa e o apoio institucional do Ministério da Cultura, para além disso conseguimos também recentemente o apoio da Câmara Municipal de Lisboa e da Fundação Calouste Gulbenkian. Não obstante muito caminho ainda temos a percorrer. 

A revista surgiu também para que a equipa, e tu, possam escrever sobre o que gostam sem as restrições editoriais dos media tradicionais. É uma revista dona do seu próprio umbigo?
Sim, a revista nasceu da nossa necessidade de escrever sobre arte e cultura numa época (2002) em que não existia nada para além dos suplementos culturais dos jornais. Volvidos 15 anos a realidade praticamente não se alterou. Os conteúdos editoriais são totalmente pensados com a nossa curadoria e desenvolvidos pelos vários colaboradores com quem contamos e sem os quais não seria possível. 

As revistas de nicho internacionais têm um público fiel. O mesmo é possível para a Umbigo? 
A Umbigo passou agora a ser uma revista bilingue com o lema “From Portugal to You” numa perspetiva de mostrar cá dentro e levar para fora os nossos artistas e criativos. O projeto é ainda recente, o primeiro número bilingue foi lançado em abril, o segundo será lançado agora em junho e estamos também neste momento a reformular o site, passando ele também a ser bilingue.

Além de escreveres sobre arte também a respiras. A curadoria e exposições eram extensões naturais ao teu trabalho? 
Sim, sempre foram e para além da curadoria na revista desenvolvemos ao longo de vários anos exposições em vários espaços. Hoje em dia o tempo escasseia mas gostaria de retomar. Estou aliás a fazer uma pós graduação em Curadoria.

A imprensa escrita sempre irá morrer? 
Não acredito, apesar de anunciada são várias as pessoas que não prescindem do papel e do prazer de o cheirar e sentir. Um pouco como o vinil que teve várias vezes a morte anunciada mas todos lhe reconhecem uma inegável qualidade sonora e plástica, estando novamente em expansão.

Podem encontrá-la aqui: 
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Foto: 
Nuno Gervásio
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