#08 Lara Seixo Rodrigues

29 maio, 2017


Criou em 2011 o WOOL - Festival de Arte Urbana da Covilhã e pouco depois vemo-la a vencer o Orçamento Participativo de Lisboa com a Lata 65 - Workshop de Arte Urbana para Idosos. Lara não consegue estar parada e é responsável pela Associação de Intervenção Criativa sem fins lucrativos Mistaker Maker onde promove a Arte Contemporânea em todas as suas (novas) formas de expressão. 

Se este fosse o teu perfil de uma qualquer rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’? 
É sempre algo difícil falarmos sobre nós. Mas existem algumas palavras/expressões que podem usar-se para me descrever e que vou integrando nessas 'descrições':
fazedora = 'mentor in making'
resiliente
eterna curiosa
frase cliché: 'Ama o que fazes, faz o que amas'

Wool, Lata 65, Mistaker Maker, Espigar nas Gentes... Tantos e tão bons. Como surgem as ideias?
De todas as partes, algumas espontâneas, outras pensadas/matutadas durante muito tempo, outras de conversas de café (têm sido as melhores), filmes, algumas ideias partilhadas e trabalhadas com outros, outras de observação. Acredito que qualquer coisa pode ser passível de gerar boas ideias. É mais uma questão de estar atento e depois trabalhar essas ideias. Outro aspeto essencial de todos os projetos que comentas é a concretização... porque ideias há muitas, quem as concretize... nem por isso :-)

Menos arquitetura, mais arte urbana. Para onde pesa a balança profissional no futuro? 
Já hoje a balança está completamente para um dos lados! E espero que o futuro continue desta forma. Quando em 2011 comecei a desenvolver os primeiros projetos nesta área das artes (não somente arte urbana), resultou de um cansaço por determinadas realidades intrínsecas ao trabalho do arquiteto (os longos tempos e as quase eternas burocracias). Durante 3 anos conciliei estes 2 universos, ganhando num lado e investindo no outro. Com a fundação da Mistaker Maker, em 2014, assumi que este era o caminho e foi o momento em que os projetos de arquitetura foram sendo colocados de lados. Uma coisa é certa, nunca deixarei de ser arquiteta porque são os seus 'instrumentos' que uso hoje, na leitura / análise / concretização das cidades, bairros, etc. em que desenvolvo projetos.

Ser mulher é uma vantagem ou um obstáculo numa arte ainda carregada de preconceitos?
Infelizmente tenho de afirmar que na minha área ser mulher é um obstáculo, associado ao facto de não ser artista. É algo característico da nossa cultura, algo que já não observo em muitos outros contextos no estrangeiro, em que sou reconhecida como mulher e como não artista, capaz de criar projetos de valor e de partilhar igual paixão pela arte urbana como qualquer artista (ou mais).

Ver os nossos avós a grafitar é espetacular. Há séniores com 'muita lata'? 
Depois de cerca de 370 idosos (termo para ler com carinho) com que já trabalhei, já não existem dúvidas de que são pessoas capazes de aprender algo novo, algo que é rotulado 'para novos'. Que o aprendem com imenso entusiasmo e mostram imenso talento, sempre uma enorme supresa a cada workshop.

O Wool transformou a Covilhã num centro de arte urbana. Há paredes em lista de espera? 
É essa uma das características da Covilhã, a imensidão de paredes e recantos com potencial para receber arte. É um cenário que não encontro em todos os lados :-)

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Foto:
Miguel Oliveira
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