#06 Mami Pereira

27 maio, 2017



Cronista e viajante crónica, Mami (Maria Miguel) Pereira percorre o mundo de sombrero na cabeça e olhar atento. Com ela visitamos as lojas centenárias de Lisboa e viajamos no sofá pela América Latina, Ásia e África. 

Se este fosse o teu perfil de uma qualquer rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Viajante constante. Cronista crónica. Semântica romântica. Afrodite de salão. Ladra de livros. Alma velha. Camarim de artista. Obviamente feminista. Atena em contemplação. Mas o melhor da vida é a comida, o amor e o colchão.

No projeto Arqueolojista levaste-nos a visitar o comércio tradicional de Lisboa que está a agora a desaparecer com a exploração imobiliária. A Lisboa menina e moça de outros tempos é agora uma vendida? 
Ui. Tocaste num ponto em ebulição. O problema não é Lisboa, sou eu. Sou uma nostálgica nevrálgica e Lisboa já não é moça há uma data de séculos. Lisboa era uma velhota com segredos, naperons e histórias mas percebeu que ainda podia arranjar marido e foi fazer um lifting. Trocou as ruas com escadinhas por pedras mais lisinhas. Deitou fora as lojas velhinhas e arranjou restaurantes da moda. Modernizou-se, super globalizou-se, traduziu-se e acelerou-se. Morro de saudades da minha velha Lisboa mas vou amar esta nova, mais ano menos ano, há de ser velhota outra vez. Ou eu nela.

Dizes que viajar não é passar férias. As férias de cocktail na mão deixaram de fazer sentido para ti? 
Nem por isso e pelo contrário. Depois de 9 anos de loucas jornadas ao Deus-dará, acho que estou a chegar à Idade-do-Cruzeiro. Mas sei perfeitamente que é a falta que dá graça à abundância. O cocktail só tem sabor depois de muita poeira. Porque não fazer os dois?

O que descobriste de ti a viajar que não conhecias quanto calcorreavas as calçadas de Lisboa?
Que não existem pessoas espetaculares, heróis invencíveis, mártires sagrados. Existem pessoas banais que se elevam dos demais, em situações especiais. Quando viajas e sais da tua realidade dás por ti a ser épica sem querer, a ser incrível porque tem que ser ou a ser mártir para sobreviver. Começas a criar a tua mitologia pessoal e isso é mais viciante que Nutella em cama de croissant.

Fazes olhos à escrita castiça e namoriscas a fotografia. É uma vida de dois amores ou tens a certeza de qual gostas mais? 
Eu gosto é de dormir e comer, o resto é para não me aborrecer. Não gosto particularmente de escrever mas gosto muito de me ler. Já a questão da fotografia, é pura mania. Uma maneira de cinematografar uma vida tal qual me quero lembrar. É uma espécie de maquilhagem do olhar.

Ao estilo da coleção da Anita já lemos Mami na América Central, Mami na Ásia e agora Mami em África. O próximo livro já tem nome? 
Mami no Portinho da Arrábida a bater o dente, Mami a comer sardinhas toda contente, Mami a explicar aos turistas como sair do Intendente, Mami na esplanada com o sol de frente, Mami a escorregar na calçada diariamente, Mami a trabalhar arduamente (fui quase convincente), Mami a viver o nosso Verão quase quente antes de ser pôr a milhas, outra vez e sempre. Que eu sou meio andorinha, e elas também não sabem porque é que vão.

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