#34 Diana & Marlene Vinha

24 junho, 2017


Diana e Marlene são irmãs, amigas e sócias na Pretty Exquisite. Trabalham com consultoria de imagem, produção e styling, maquilhagem e técnicas de rosto, sendo hoje uma referência de imagem e moda na cidade do Porto e na blogosfera. 


Se este fosse o vosso perfil de uma qualquer rede social o que escreveriam na área 'Sobre ti’?
Depende. Nós temos um perfil profissional, no qual escreveríamos algo sobre a nossa atividade profissional. No caso do pessoal, e da Diana, ela tem na sua descrição algo sobre ela, e não mudaria. No caso da Marlene, ela normalmente abstém-se! Não gosta de escrever sobre ela mesma!

Somos uma sociedade que vive de aparências? 
Apesar de estarmos ligadas a uma área, que só por si, lida com a imagem, estaríamos a ir contra aquilo que trabalhamos, se disséssemos que não. No entanto, achamos que a imagem exterior deve ser o resultado criativo de um perfil interior.
No entanto, a imagem e a aparência, entendidos como algo que é um fingimento e um disfarce, em cima daquilo que as pessoas são, é algo com o qual não nos identificamos, de todo. Infelizmente, achamos que hoje em dia, de uma forma geral e talvez incitado pelas redes sociais, existe o culto da aparência como algo criado apenas para o clique, o instantâneo e o efémero. 

A comunidade 'Pretty Exquisite' nas redes sociais não pára de crescer. Consideram-se opinion makers? 
Não, de todo! Hoje, quem domina as redes sociais é denominada por "influenciador digital", termo que não nos descreve. Somos demasiado espontâneas e transparentes para influenciarmos seja quem for!

Começaram as duas por estudar algo que entretanto perceberam não ser a vossa verdadeira vocação. Foi o tempo certo para errar? 
Apesar de nem sempre caminharmos em linha reta, acabamos por encontrar o nosso caminho. Como foi o caso. Mesmo que chegado a essa conclusão, pelo caminho mais longo, não foi tempo perdido. Aproveitamos sempre para apreciar a "paisagem"!

Com vidas agitadas e vários trabalhos e projetos em simultâneo, o lado pragmático da vida (e as contas ao fim do mês) não dá para embelezar? 
Tentamos levar o trabalho com alguma ligeireza e boa disposição. Mesmo que nem sempre seja possível. É um trabalho muito incerto, com muitas variáveis à mistura, que trabalha a imagem e o gosto das pessoas, que é algo bastante discutível. Mas, sem dúvida que encaramos o trabalho com a beleza que tem, até porque se é o que mais gostamos de fazer, não poderia ser de outra forma. Não há trabalhos perfeitos mas, fazer o que mais se gosta é um grande privilégio, que sabemos apreciar!

Valorizar a imagem pessoal traz mais confiança a quem vos procura?
Queremos acreditar que sim! É essa a nossa missão!

Podem encontrá-las aqui: 

#33 Inês Santos Silva

23 junho, 2017


Inês é uma fazedora non-stop. Co-fundou o Startup Pirates, programa de apoio ao empreendedorismo, integra a lista de jovens estrelas nos negócios da revista Exame '40 abaixo de 40' e foi a primeira portuguesa a ser admitida na Singularity University da NASA e Google. 

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Gosto de fazer. Numa palavra sou uma “fazedora”, apaixonada por ligar pessoas e ideias. 

Depois de 10 semanas com a NASA o céu deixou de ser o limite?
Depois de 10 semanas no epicentro de Silicon Valley nada parece impossível. Provavelmente essa foi a minha principal aprendizagem depois de participar no Global Solutions Program da Singularity University na NASA. 

Estar no mundo das tecnologias sem se ser engenheira é limitativo? 
Não sinto que seja nada limitativo. Sempre olhei para a minha licenciatura em gestão como um início e não como o fim. O meu percurso em gestão dá-me ferramentas e uma forma de ver ideias e tecnologia que é muito útil no meu dia-a-dia. A minha paixão e curiosidade pela tecnologia faz o resto. 

Todos temos um empreendedor dentro de nós?
Honestamente não sei. Já achei que sim, mas às vezes penso que não. A resposta politicamente correta é dizer que sim, mas a verdade é que ser empreendor(a) é extremamente complicado e exigente e nem toda a gente está disposta a isso. Mas também não acho que têm que estar. Penso que todos nós devemos ser proativos e colocar energia no que fazemos, mas isso nem sempre tem que resultar em novos projetos ou iniciativas. 

Somos um país de novos 'piratas'?
Acredito que vivemos num país incrível, cheio de “piratas empreendedores” à procura do seu lugar no mundo. Eu estou “nesta coisa” do empreendedorismo desde 2010 e é inacreditável ver a evolução nestes últimos 7 anos. Ainda temos muito trabalho pela frente, mas temos que ter orgulho naquilo que já alcançamos.

O teu percurso no empreendedorismo tem sido reconhecido e acabaste por integrar a lista de jovens estrelas nos negócios da revista Exame '40 abaixo dos 40'. Vendo a lista percebemos que apenas 7 são mulheres... o que falta ao empreendedorismo no feminino? 
Faltam exemplos (rolemodels) a vários níveis. O número de mulheres a frequentar cursos de engenharia continua a ser extremamente baixo levando a que poucas mulheres criem empresas tecnológicas. Precisamos de atuar ao nível do 3º Ciclo para convencermos mais raparigas a seguirem as áreas da tecnologia e depois criarem empresas. É urgente fazer alguma coisa!

Podem encontrá-la aqui: 

#32 Carolina Freitas

22 junho, 2017


Carolina Freitas é Anny is Candy, youtuber desde os 15 anos e cara do WTF, o tarifário da NOS dedicado à nova geração. Influenciada pelos youtubers internacionais que acompanhava decidiu experimentar e não parou mais, partilhando ideias e opiniões que chegam a mais de 50 mil jovens. 

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Na verdade nunca fui muito boa nesse tipo de coisas. O que é que uma pessoa diz? "Olá, sou a Carolina e tenho X anos. Prazer." Apresentações e usernames não são, de todo, o meu forte (como poderão já ter tido a oportunidade de comprovar).

O que é que tinhas para dizer aos 15 anos que merecia um canal no Youtube? 
Aos 15 anos eu tinha imenso tempo livre e não sabia o que fazer com ele. Estava nas minhas férias de Verão, completamente aborrecida; nessa altura também consumia muitos vídeos no YouTube, que não tinha nem metade da variedade que tem agora! Estava fascinada com o que estava a ser feito e quis experimentar. Porque não? Não tinha nada melhor para fazer, mesmo. Então lá fui eu fazendo umas coisinhas para me divertir, outras vezes quis falar de coisas mais sérias que me incomodavam diariamente. Entretanto, já lá vão 8 anos...

Ainda te lembras sobre o que falavas no primeiro vídeo que colocaste online?
Para ser muito sincera não faço a mais pálida ideia. Eu comecei a colocar vídeos online ainda fora do YouTube, só mais tarde é que surgiu o canal que tenho atualmente. 

Quando vemos a Anny vemos a Carolina?
Sim. Nunca quis criar nenhuma persona para o meu canal, mas hoje em dia penso que talvez isso tivesse sido mais seguro para mim. Comecei o meu canal numa altura em que ainda estava a descobrir-me e definir-me como pessoa, daí que exista uma grande diferença desde o início até agora (o que, também, em 8 anos é inevitável). Contudo, apesar das diferenças que se notam tentei sempre mostrar-me a mim mesma, e não um produto que poderia corresponder ao que as pessoas quisessem ver.

São já mais de 55 mil os seguidores no teu canal. 'With great power comes great responsibility'? 
Um pouco, mas tento não pensar muito nisso. No fundo, eu sou uma miúda normal, estou nos meus 22 anos e muitas vezes nem à minha vida sei o que fazer! Tenho a noção de que o público se pode influenciar por algumas das minhas opiniões, o que para mim é muito assustador porque sabemos que as opiniões são coisas que vão mudando com o tempo, e além disso acho que cada um deve ter espírito crítico suficiente para construir as suas. Eu tento ao máximo incentivar a discussão dos temas que abordo e não tanto influenciar o público a alcançar determinada conclusão, mas infelizmente sei que é uma coisa que não está totalmente sob o meu controlo. 

A exposição já te garantiu alguns projetos profissionais. Imaginas-te a fazer da AnnyIsCandy a tua profissão? 
Gostava que fosse uma parte da minha vida profissional, mas tenho outros interesses que gostava de seguir.

Podem encontrá-la aqui: 

#31 Susana Godinho

21 junho, 2017


Susana é uma apaixonada pelo têxtil. É responsável de bastidores do Portugal Fashion e Moda Lisboa e criadora da SUGO, a marca que transforma cortiça em tapetes, feitos em teares tradicionais, ecológicos e 100% portugueses. 

Se este fosse o teu perfil de uma qualquer rede social o que escreverias na área 'Sobre ti'? 
Sempre fui uma apaixonada tanto pela área têxtil como da moda, o que fez com que na minha vida pessoal e profissional estas vertentes estivessem sempre no centro das minhas atividades. Depois da minha formação em Design Têxtil pelo CITEX, estagiei em tecelagem, onde surgiu o interesse pelos tecidos e em trabalhar na área de tapeçaria. A minha experiência seguinte colocou-me em contacto durante vários anos com a área de vestuário. Neste âmbito, desde há 15 anos sou uma das responsáveis de bastidores do Portugal Fashion e Moda Lisboa, e em 2010 voltei à área de tapeçaria.

Este SUGO não se come, mas é uma doce surpresa ver toda a curiosidade e interesse à volta dele?
Sim, sobretudo porque é o resultado de um sonho antigo ligado a área da tapeçaria e após o lançamento da primeira coleção, ao perceber que o público tem também um grande interesse por este tipo de produto, é a materialização uma ideia que levou anos a amadurecer. 
Foi e continua a ser surpreendente observar que as pessoas também se identificam com um conceito, no qual está impresso 100% o meu ADN. Na conceção do novo tapete esteve acima de tudo uma vontade de inovar na utilização de matérias-primas e de utilizar materiais ecológicos. Como designer criadora, a cortiça apareceu no topo das matérias-primas mais interessantes para o efeito, uma vez que traz consigo, além das questões de sustentabilidade, uma performance técnica muito interessante neste tipo de produto. 
Para conseguir o melhor resultado tanto a nível da qualidade do produto final como a nível estético, utilizamos a cortiça como matéria-prima diferenciadora, conjugada com lã nacional e com algodão recuperado de grandes produções industriais. Este aspeto diferenciador, através da introdução da cortiça foi uma das vertentes que mais suscitou a curiosidade do cliente final. 

Ser empreendedora a 100% obriga-te a ter sempre os pés bem assentes no chão, neste caso, no tapete? 
Em 2012 iniciei experiências para o desenvolvimento de tapetes recorrendo a materiais pouco comuns, no entanto, dificuldades e contratempos relacionados com as primeiras experiências levaram-me a, momentaneamente, desistir do projeto. Pouco tempo depois surgiu a 1ª call da Amorim Cork Ventures e considerei que seria a oportunidade ideal de trabalhar em estreita parceria com esta incubadora com o objetivo de conseguir lançar a primeira coleção de tapetes de cortiça tecidos por tecelagem. 
Esta evolução ao longo dos anos e as diferentes valências que a empresa exige, fazem com que eu realmente tenha o foco bem definido e os pés bem assentes no chão. 

Tens noção de quantos testes foram necessários até chegares ao produto final? 
Depois de aceder à incubadora, e com a entrada da Sónia Andrade, minha amiga de longa data e sócia, passamos por um longo processo de desenvolvimento de produto, foram adquiridos teares para a produção industrial, assegurados testes de resistência e de durabilidade e, simultaneamente, feito o plano de negócio e a prospeção de mercado, áreas em que o apoio da Amorim Cork Ventures foi da maior importância. Mas só compreendi a necessidade de desenvolver uma série de aspetos técnicos durante este processo de desenvolvimento do produto. 

Será a cortiça como o bacalhau? Há 1001 maneiras de utilizá-la? 
No cômputo geral, estamos perante uma matéria-prima de grande versatilidade, passível de ser conjugada com outros materiais, que cumpre com sucesso, os requisitos do produto a que se destina (tapete) e que tem a mais-valia de ser sustentável, que era um dos objetivos de criação da nossa marca. 
Agora que temos maior conhecimento sobre o mundo da cortiça, creio que existem mil e uma maneiras desta matéria prima tão nacional ser utilizada. Só na área da tecelagem tradicional a nossa experiência indica que é possível oferecer uma coleção versátil, com infinitas possibilidades visuais através da conjugação em tear destas matérias-primas, todas elas com respostas diferentes para o mesmo tipo de ponto. 
Num contexto mais amplo hoje a cortiça já é aplicável em áreas tão distintas como na indústria aeroespacial ou no surf. No futuro creio que surgirão ainda uma infinidade de setores nos quais a cortiça será utilizada, dadas as suas características únicas tanto na vertente técnica como estética. 

A SUGO estava no papel desde 2012 há espera das condições ideais para avançar. Há mais projetos maravilha nesse bloco de notas? 
Como qualquer produto vocacionado para o design de interiores visamos lançar novas coleções em linha com o que é a realidade na área dos tapetes. Este é aliás um dos objetivos da empresa a curto/ médio prazo, assim como a evolução dos produtos agora apresentados. 
A expansão da empresa, a curto e médio prazo, estará associada ao aumento de capacidade de produção e à oferta de novos produtos, assim como o crescimento para os mercados externos e introdução de novos materiais. 
Esta expansão condicionará para além da criação de novas coleções, necessariamente o desenvolvimento de outros projetos, com base na cortiça. Mas sobre este capítulo preferimos não levantar o véu e deixar que as novas propostas surpreendam o mercado.

Podem encontrá-la aqui: 

#30 Susana Gomes

20 junho, 2017


Como forma de escape ao trabalho diário, Susana começou a dedicar os finais de dia a aprender a coser cadernos e a desenhar padrões de azulejos para as primeiras capas. Nascia assim o Beija Flor, uma projeto paralelo que foi crescendo e que levou Susana a despedir-se e lançar-se na aventura do empreendedorismo a tempo inteiro. 

Se este fosse o teu perfil de uma qualquer rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Fiz batota e fui ver o que tinha escrito (há que tempos) no meu perfil pessoal, da página de Facebook, sobre mim. Encontrei esta descrição: "pequena, chata e teimosa.". Não me parece uma descrição em nada desatualizada, na realidade. Continuo pequena, chata e teimosa, com tudo e todos que me importam. E não vejo esta teimosia como algo negativo, vejo-a como uma espécie de determinação, persistência, no que gosto e, principalmente, no que acredito. 
Se não tivesse um quê de determinação, resiliência, ambição e sonho em mim, não podia ter tomado a decisão que tomei há 3 anos atrás, de despedir-me e lançar-me nesta aventura exigente que é ser trabalhadora independente e gerir uma marca.

O Beija-Flor começa a criar cadernos com padrões de azulejos e de repente 'boom!', temos azulejos estampados em tudo o que é merchandising turístico. A autenticidade da marca ressentiu-se? 
Não. O Beija-Flor começou a explorar esta temática muito antes deste "boom" e, se por um lado há azulejos em tudo quanto é lojinha de souvenirs, por outro lado os produtos que são feitos com cuidado e coerência, como acredito que são feitos os produtos Beija-Flor, continuam a ter o seu público. No ano passado, quando lancei uma nova coleção de postais e envelopes, que inclui padrões de azulejos portugueses, pensei muito se o devia fazer, face ao atual mercado saturado deste tipo de ilustrações, e resolvi arriscar por acreditar que o produto se diferenciava do existente e acrescentava algo mais do que uma simples cópia dos azulejos que encontramos nas ruas do nosso país.

Continuas a coser cadernos à noite na mesa da cozinha?
Já não, tive um upgrade, agora faço-o no escritório ;)

Tens noção de quantos cadernos já coseste até hoje? 
Com muita pena minha não tenho noção exata do valor mas posso garantir que já falamos na casa das unidades de milhar :)

Há colecionadores de Beija-Flor?
Sim, há e é tão, mas tão bom saber disso!

Gostavas de ver o Beija-Flor voar até onde? 
Gostava que o Beija-Flor crescesse ainda mais no mundo do estacionário. Quero muito experimentar novos materiais, novas técnicas, novos produtos, mantendo-me sempre próxima de todo um processo tradicional e de parceiros locais que vou conhecendo. Quero muito também continuar a fomentar as parcerias com ilustradores  que me têm permitido conhecer pessoas super criativas. 
Gostava muito que as pessoas associassem a marca Beija-Flor a uma marca de estacionário portuguesa com qualidade.

Podem encontrá-la aqui: 

#29 Ana Areias & Raquel Rei

19 junho, 2017


Ana Areias, a.k.a Ana Types Type, e Raquel Rei são designers e da vontade de experimentarem sair das suas zonas de conforto criaram a Madre. Um projeto pessoal de design de produto que já resultou numa primeira coleção, a MESA. 

Se este fosse o teu perfil de uma qualquer rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
“We are graphic designers who discovered that traditions need to be heartwarming. That's what we do. We are grateful to the table as the place for honest ideas. Humble at heart. As we toy with the soul, we work the reflection of the marble Scandinavian lust, the one that takes time to settle in and feels great to be part of, because it is rich. We have fun with these objects. We create them to inspire the ones that come after and age forever. They have time to be nourished and built: just like relationships. We are in fashion with function. Madre loves design, that's actually who we are, communicating with ceramics, metal and kindness. We articulate love and care for the sunset with a systematic approach to feel good. Spicy at soul. Sexy in history.”


Madre é um projeto que surge como uma resposta à vontade de experimentar, de sair da zona de conforto, para o encontrar novamente no desconhecido. Como é um projeto pessoal, não temos restrições, o que nos permite materializar ideias que estavam há muito tempo nas nossas gavetas.


Tudo começa e acaba na mesa? 
Sim, pelo menos para nós. Começamos pela coleção MESA por ser o sítio onde passamos grande parte do dia, no trabalho, em casa, com amigos – o sítio de inspiração, de debates, de planos de viagens e de memórias.

A vossa primeira coleção é multifuncional. Cada peça foi desenhada a pensar em várias mesas? 
As peças desta coleção foram pensadas num pequeno sistema onde se relacionam entre si através de encaixes, de relações de escala, de conjugações de materiais e de contrastes. Todas as peças podem ser usadas à mesa: para comer ou petiscar, na secretária do trabalho para arrumar material de escritório, na mesa de cabeceira para pousar anéis… No fundo, o facto de termos desenhado peças muito simples em termos formais, permite que cada um as use à sua maneira e conforme as suas necessidades.

Com a tecnologia o mundo parece girar cade vez mais rápido. Aqui é a 'Madre against the world'?
Não queremos acreditar que estamos contra todo o mundo, mas efetivamente existe uma grande diferença temporal em atividades que se servem primordialmente da tecnologia e atividades analógicas… Como designers gráficas de formação, a nossa atividade principal desenvolve-se na sua maioria em frente ao computador, e nesse sentido, quando estamos na oficina sentimos o tempo a passar (ou não passar) a um compasso completamente diferente. Acreditamos que as próprias peças transparecem esse tempo e desse ponto de vista, sim, gostamos de promover o que se faz devagar.

Fazer algo a 3 dimensões afasta-vos da vossa área de formação. É um escape ou um caminho?
Talvez um pouco das duas. Pelas razões temporais e de caráter físico que referimos, é sem dúvida um escape. No entanto também é um caminho, reflexo de uma vontade consciente de experimentar outras coisas, de dar mais uma dimensão às nossas ideias.

Da Madre nasceu um primeiro filhote de madeira e cerâmica. O que se segue? 
Estamos a trabalhar em produtos novos, que resultam de experiências com materiais diferentes para nós e que vão aparecer em séries muito limitadas, mas mais diversificadas do que o que temos feito até agora.

Podem encontrá-las aqui: 

#28 Sara Eustáquio

18 junho, 2017


Aos 17 anos Sara tem no currículo duas curtas metragens e mais de trinta prémios internacionais. Foi aceite na New York Film Academy e prepara-se para integrar o prestigiado California Institute of the Arts, dos estúdios da Disney, frequentado por Tim Burton e Soffia Coppola. 

Consegues que te levem a sério com apenas 17 anos?
Por incrível que pareça, levam-me muito mais a sério enquanto realizadora fora do país.
Noutros países, nos festivais, tratam-me como uma realizadora a sério e avaliam os meus filmes como se de um profissional se tratasse, ou então também já aconteceu criarem prémios extra para mim devido a ser tão nova e mesmo assim mostrar uma certa “maturidade”, como já disseram várias vezes.
Por outro lado, cá em Portugal, já vivi situações um pouco infelizes. Não só em festivais, como o exemplo de dizerem que sou demasiado nova para participar ou que não posso porque não estou inscrita em nenhuma escola de cinema. Já me tentei informar no aluguer de material e soltaram um riso na minha cara quando souberam que ainda estava no secundário e nem sequer tenho uma formação cinematográfica a nível de ensino superior.
Tenho pena desta situação, porque não é por ter a idade que tenho que sou menos capaz ou menos criativa.

Uma curta metragem, três dezenas de prémios internacionais. Tinhas noção do que tinhas em mãos?
Não tinha noção e para ser sincera só agora, passado um ano, é que estou finalmente a assimilar tudo. Para mim, ainda me é estranho pensar no impacto que causou e continua a causar. Fiz sempre tudo por intuição e no início até cheguei a pensar que foi por sorte. No entanto, agora, já depois de ter feito um curso de cinema e mais outra curta metragem, sei que não foi por sorte. Fico muito contente por todo o percurso até agora e só me dá vontade de continuar a trabalhar e a melhorar.

Pertences à chamada 'geração do telemóvel'. Ter uma câmara sempre no bolso ajuda-te a concretizar ideias? 
Na verdade, não uso o telemóvel para filmar assim tanto quanto isso. Claro que por vezes me dá imenso jeito para não me esquecer do que vi num certo local que me parece interessante para uma filmagem futura. Contudo, não me identifico muito com a “geração do telemóvel”. Não troco uma câmara de filmar por um telemóvel.

A experiência na New York Film Academy trouxe-te a técnica que procuravas?
A New York Film Academy ensinou-me muito, mas só me mostrou que ainda tenho muito para aprender e que de facto é esta a área que quero estudar e vir a trabalhar. Claro que foi fundamental para mim. Sei que numa futura curta metragem já vou ter cuidados muito diferentes não só na parte técnica mas como na parte de continuidade da história. No entanto, sei que ainda há muito trabalho pela frente e muito a aprender.

Vais estudar no prestigiado California Institute of the Arts, dos estúdios da Disney, por onde também passaram Tim Burton e Soffia Coppola. Muita pressão ou para já nada de 'fazer filmes'? 
Depende dos dias. Às vezes nem me lembro do prestígio que tem e encaro como uma nova etapa na minha vida e como um empurrão para alcançar os meus sonhos. Outras vezes, lembro-me que de facto é uma universidade muito importante na indústria e que vou ter constantemente vários “olhos” em cima de mim. Sinto-me um bocado pressionada porque sei do que sou capaz de fazer e quero estar à altura, não me quero desiludir a mim mesma. Estas preocupações acabam por passar. Já consegui chegar aqui, portanto se continuar a trabalhar arduamente, quem sabe se não consigo alcançar todos os meus objetivos.

Podem encontrá-la aqui: 

#27 Bárbara R.

17 junho, 2017


Descobrimos na Bárbara dois grandes amores: o design e a ilustração. É co-fundadora da Associação de Ilustração, foi nomeada para Melhor Autora no ART BOOKS WANTED International Award e lançou recentemente 'O sol da Sra. Azul', um livro ilustrado que aborda o preconceito, o esquecimento, o abandono e a solidão.

Se este fosse o teu perfil de uma qualquer rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’? 
(É engraçada a pergunta porque tenho de alterar isso nas redes sociais (risos)). 
O meu nome é Bárbara e sou designer de comunicação e ilustradora. Neste momento trabalho na área de design de eventos, ilustração têxtil e editorial. 
Os livros e as viagens sempre estiveram presentes na minha vida. Cresci rodeada de verde, com montanhas por perto e o mar ao lado. Já vivi em vários sítios e agora voltei ao Porto, a cidade que sempre me encheu o coração e onde estou a magicar projetos para o futuro!

O papel é uma terapia? 
Sim, desde miúda que tenho a necessidade de viver rodeada de livros e papéis. Sempre que estou stressada ou sem inspiração, entro numa livraria ou numa papelaria e é como tomar um comprimido para a felicidade. Sou daquelas pessoas que não compra um livro se não gostar do papel ou estiver mal paginado.

Ainda recebes propostas para trabalhar de graça? 
Infelizmente as pessoas em Portugal ainda não entendem que apesar de a profissão de designer ou ilustrador parecer ser divertida, é uma profissão. Ainda há muita gente a pensar que temos super poderes e que não precisamos de comer. É uma luta que nos tira bastante energia, e em que passamos demasiado tempo a explicar e defender o nosso trabalho. 

Entre o design gráfico e a ilustração para onde pende a balança? 
Não pende, acho que são duas áreas que se complementam. Depende sempre do projeto, ultimamente os projetos de ilustração têm sido mais divertidos.

Há muitas pessoas à procura do sol?
Sim, infelizmente há muitas pessoas a viverem na solidão e outras tantas que não têm a sensibilidade de as abraçar. O meu livro “O Sol da Sra. Azul” é um texto meu, sobre uma senhora que eu conheci. Aquela história mexia muito comigo porque não entendia como as pessoas podiam ser tão frias! Achei que devia fazer alguma coisa que passasse essa mensagem e logo que tive oportunidade desenvolvi o livro. Espero que as pessoas entendam a mensagem e que fiquem mais sensíveis para este problema.

Ser nomeada para Best Author's Book no ART BOOKS WANTED International Award faz bem ao ego e traz oportunidades profissionais?
O livro “Partir é Deixar, Deixar é Partir” foi um projeto que me deu bastante gozo desenvolver. É um tema que me diz bastante e achei que era um bom tema para o projeto de mestrado. Vi esse concurso um dia antes de as candidaturas terminarem e resolvi enviar o livro. Fiquei contente com a nomeação, claro, é sempre bom quando reconhecem o teu trabalho! Entretanto já fiz algumas exposições com as ilustrações do livro e ainda não desisti da ideia de o publicar.

Podem encontrá-la aqui: 

#26 Cláudia Fernandes

16 junho, 2017


Divide o coração entre Lisboa e Berlim mas os olhos, esses, estão sempre atentos ao próximo 'clic'. No Instagram é a 'Dear Claudia' e quem a acompanha encontra um diário de experiências, anedotas, viagens e momentos especiais do seu dia a dia. 

Se este fosse o teu perfil de uma qualquer rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Provavelmente escreveria qualquer coisa como: Babies & Cats & Beards / Lisbon & Berlin. São as 5 coisas que melhor me definem :)

És uma Cláudia mais analógica ou digital? 
Sempre fui mais apaixonada pelo analógico, não só pelo momento build-up até à revelação das fotografias, mas também porque é uma experiência muito mais próxima entre o que vemos e o que queremos fotografar. 

Portugal teve mais encanto na hora da despedida ou no regresso? 
Portugal teve mais encanto na despedida das férias, de regresso a casa em Berlim. Portugal tem sempre mais encanto quando estamos longe, ou entrelaçados na magia das férias. 

No teu perfil no Cargo Collective escreves que 'we keep walking until we become the places'. Berlim entranhou-se em ti? 
Sem dúvida, Berlim é a minha segunda casa, e tornou-se a minha pele. É onde eu fui mais eu, sem filtros nem maquilhagem. 

É verdade que gostas de fotografar pessoas pelas costas? 
Hahah! É de facto, uma das coisas que mais gosto de fazer. Gosto da presença das pessoas nas fotos, acho que adiciona conteúdo e vida à fotografia. Enquanto a maioria das pessoas tira selfies, eu gosto de me focar numa parte do corpo que se vê menos e que provavelmente tem uma história para contar - para onde vamos, o que vemos. É como se fosse uma out-of-body experience. 

Li em tempos um artigo no The Guardian em que alguém opinava que a fotografia não é uma arte mas sim um substituto sem alma da pintura. A fotografia ainda é o parente pobre da pintura? 
Não sou dessa opinião, de todo. Para mim, a fotografia é muito mais do que pintura, é a tua perspetiva da realidade, enquanto que a pintura para mim sempre foi um pouco fantasia. E eu sempre gostei mais da realidade do que da fantasia :)

Podem encontrá-la aqui: 

#25 Maria Santos

15 junho, 2017


Maria Santos trocou Lisboa e a Engenharia Civil por Porto Covo e a arte de bem receber. Numa resolução de ano novo, Maria comprou em leilão uma antiga escola primária e transformou-a na Casa de Campo Cabeça da Cabra, onde agora se ensinam outras lições. 

Se este fosse o teu perfil de uma qualquer rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Antes tinha algo que traduzido seria "dividida entre o campo e a cidade, em busca de um sonho de liberdade", mas agora já não estou em dividida, o campo arrebatou-me completamente "following a dream of freedom in the nature", é isso que me define... o facto de me ter tornando numa anfitriã de uma antiga escola primária num pequeno lugar do Alentejo veio na sequência desse sentimento base.

Como é que se compra uma escola primária?
Com alguma insensatez e a acreditar que vai correr tudo bem no final. 
Penso que este tipo de edifícios fazem parte do imaginário de todos nós, a ideia de ter uma pequenina escola primária numa zona rural parecia-me algo saído de um conto de fadas. Na altura foi tudo muito rápido e irrefletido, mas em retrospetiva penso que a loucura teria sido cruzar-me com esta oportunidade e virar-lhe costas. 

Já tiveste antigos alunos aí hospedados? 
Hospedados não, mas uma das minhas "novas amizades" mais presentes é uma senhora que andou aqui na Escola, e tem um monte aqui próximo. Andou ela e o marido, e foram namorados desde sempre, parece-me sempre muito romântico imaginá-los pequeninos na mesma sala de aula.

De engenheira civil a professora da arte de descansar. Era um sonho antigo? 
A palavra sonho é engraçada porque é muito bonita, mas às vezes parece carregar logo o significado de que é uma fantasia, algo distante da realidade que normalmente não se realiza. Eu acho que todas as pessoas sonham com percursos de vida diferentes daqueles que estão a seguir, algo que eu também fazia. Acho que foi o meu lado prático de Engenheira Civil que começou a tratar esse sonho como um projeto, e tornou possível uma mudança de vida tão radical. 

Ainda és uma pessoa dividida entre a cidade e o campo, ou o "pessegueiro na ilha /Plantado por um Vizir de Odemira" já é o teu 'fruto' preferido? 
Sem dúvida, nos primeiros anos ainda me sentia dividida, e Lisboa é uma cidade que adoro e gosto muito de visitar, mas o campo e o Alentejo para mim são necessidades vitais, já não consigo viver sem isto. Claro que isto não acontece com toda as pessoas, tem de haver uma predisposição natural dentro de ti para fazer esta escolha, talvez outra pessoa na mesma situação chegasse à conclusão que adorava visitar o campo mas não conseguia viver sem a cidade.

O surf também já é paixão? 
O surf ajudou muito a cimentar as minhas raízes aqui na costa alentejana, porque é uma experiência que te cria uma proximidade com a natureza de uma forma muito intensa, quase religiosa.
Nem todas as pessoas vão ter a mesma experiência e para muitas será apenas um desporto saudável e divertido, o que já é bastante.

Podem encontrá-la aqui: 
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