#90 Sofia Santos

19 agosto, 2017


Trabalhou como diretora de arte e designer em Lisboa, Madrid e Sydney mas foi em Nova Iorque que desenvolveu uma antiga paixão: ilustrar. Na cidade que nunca dorme decidiu inscrever-se em algumas aulas de desenho e ilustração e nunca mais parou. 

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Sempre tive muita dificuldade em falar sobre mim, mas vou tentar. Aqui vai: Portuguesa, designer / ilustradora que vive em Nova Iorque. Gosto do verão e da praia, de sair para dançar e conversas longas com amigas. 

A expressão visual é a tua forma preferida de comunicação? 
As pessoas que me conhecem bem sabem que sou uma pessoa muito expressiva. Falo bastante, adoro cantar e dançar mas a expressão visual é como uma meditação e uma forma de comunicar mais pessoal.

O que é que a ilustração te dá que a publicidade não?
Na publicidade trabalho marcas com uma identidade visual marcada ou, se o trabalho for criar a sua identidade, tem de refletir a personalidade dessa marca. A ilustração, permite-me expressar individualmente a minha personalidade e o meu estilo. Outro aspecto de ilustrar que gosto bastante é o facto de desenhar e pintar à mão em vez de fazer tudo no computador.

Depois de Madrid e Sydney, Nova Iorque é a cidade ideal para ilustrares?
Eu penso que sim... principalmente para alguém como eu que sempre pensou em seguir ilustração mas precisava de um empurrãozinho. Nova Iorque pode ser bastante difícil para se viver mas é também muito inspiradora. As pessoas que encontras aqui têm muita vontade de fazer acontecer e isso dá-me mais força para querer continuar. Pessoas que te inspiram e puxam para a frente. Para além disso existem imensos cursos de arte para todos os estilos, a todas as horas, para todo o tipo de pessoas, é incrível!

Ainda desenhas todos os dias?
Por enquanto sim, e espero continuar a fazê-lo :)

Podem encontrá-la aqui: 

#89 Rita Andrade

18 agosto, 2017


É apaixonada pelos lugares sem mapa e pela linguagem gestual improvisada. A curiosidade de ver o mundo sempre esteve presente, mas foi quando fez o caminho francês de Santiago de Compostela a pé e de mochila às costas que Rita percebeu a quantidade de aventuras que há para serem vividas além fronteiras. Em 2011 foi sozinha à descoberta da América do Sul durante três meses e pouco depois juntava-se à equipa de líderes Nomad.   

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Curiosa inata sempre à procura de uma nova aventura, amante eterna da linguagem gestual improvisada e de descobertas sem mapa. A Rita é viciada em descobertas constantes motivada pela imprevisibilidade da estrada. Formada em publicidade criativa, alargou o seu portfólio ao design e à ilustração, mas foi nas viagens que descobriu um amor ainda maior e fez disso profissão ao tornar-se (orgulhosamente) líder Nomad de viagens de aventura, mostrando a, também eles, viajantes curiosos a diversidade cultural da Indonésia e do Sri Lanka. 

Dizem que o Caminho de Santiago é um caminho para a vida que ajuda à reflexão. Foi aí que percebeste que viajar seria o teu modo de vida? 
Não houve apenas um momento. Houveram, sim, vários momentos que me fizeram crescer como pessoa e depois como viajante, que me mostraram como poderia viver ainda mais feliz. Faz sentido? O Caminho de Santiago foi uma experiência incrível! Um mês a caminhar, em que ao fim de uma semana estava a desfazer-me de metade das coisas que no início pensava serem essenciais na minha mochila (precisamos de tão pouco, afinal!). Um mês dedicado ao caminho, ao presente, em que o que interessava era a beleza que ali estava a testemunhar, juntamente com as pessoas que ia conhecendo pelo caminho (fiz amigos que duram até hoje, após mais de 10 anos e apesar de morarmos em continentes diferentes). E posso dizer que tive a sorte de o fazer antes da loucura dos smartphones e da comunicação desenfreada e constante. Acho que hoje em dia é cada vez mais difícil estar só no presente e o caminho é essencialmente isso.

Viajar sozinha pela América do Sul foi o verdadeiro 'sair da zona de conforto'?
Sem dúvida! Das melhores coisas que já fiz. Quando o decidi fazer estava toda entusiasmada, mas na hora do voo senti um frio na barriga e perguntei-me se não estava a fazer uma grande loucura. Loucura ou não, cresce em mim a certeza de que foi uma das melhores decisões, senão a melhor, que tomei na vida. Aprendi que mais vale ir do que ficar parada apenas a sonhar com as possibilidades (ainda que nunca tivesse sido fã de ficar parada). Aprendi que sou capaz de bem mais do que tinha alguma vez pensado que seria. Aprendi que a cultura, as línguas, as paisagens não são um obstáculo mas sim um divertido e recompensador desafio. Que a maioria das pessoas são boas, que as surpresas e os inesperados fazem parte do caminho (e tornam-no até mais interessante), que o mundo é tão grande e sou feliz a explorá-lo. 
Foi também a primeira vez que me despedi de um trabalho considerado pela nossa sociedade como "seguro" e o troquei pela incerteza e o desconhecido. No final, foi uma grande e valiosa experiência e as memórias que saíram dela valem uma vida inteira.

Em cada viagem continuas a aprender sobre ti?
Sempre! As viagens fazem-nos sair da zona de conforto. Principalmente quando saímos da Europa e América do Norte e vamos para a América Latina, África ou Ásia: nem tudo funciona como é suposto, nem tudo acontece como planeamos, nem tudo é o que parece... Ou seja, há uma constante descoberta e aprendizagem e engane-se quem pensa que só aprendemos sobre o pedaço de mundo que estamos a explorar: aprende-se igualmente, ou até mais, sobre nós próprios. No meu caso certamente, pois sou capaz de bem mais do que pensava. Por exemplo, que não falar uma língua (em comum) não é limite à comunicação e que sou melhor em linguagem gestual improvisada do que alguma vez pensei. Cada viagem que fiz transformou-me sempre de alguma forma e é o que espero que continue a acontecer. A confiança em mim mesma, perder medos, desafiar-me a ir para além da minha zona de conforto isto tudo são coisas que vão crescendo em mim quando viajo. Conhecer diferentes culturas e conversar com pessoas de vários cantos do mundo dá-nos a capacidade de entender melhor o mundo em que vivemos. Esta descoberta interior é uma descoberta entusiasmante, e extremamente gratificante.

Viajar é uma arte ou a verdadeira arte está em conseguir empacotar tudo na mochila?
Há muitos tipos de viagem, e alguns acho que caiem mesmo na categoria de arte. Mas é tudo muito relativo. Até fazer a mochila pode ser uma verdadeira arte! Mesmo sabendo que o ideal para mim é caber tudo numa mochila de 50L, tenho sempre a tentação de levar mais do que preciso. Depois de tantas viagens, às vezes ainda pergunto a mim própria: "Precisas mesmo disso, Rita?". E claro, relembro-me vezes e vezes sem conta de que do outro lado do mundo também há supermercados e máquinas de lavar, caso seja necessário (e claro que será!). O caminho de Santiago é um bom exemplo de que realmente não precisamos de muito em viagem.

Afinal como é que se é quase raptada por um llama? 
Conheci o Chiclito nas ruas de Santiago do Chile, durante a minha aventura pela América do Sul em 2011. Foi amor à primeira vista. Eu quis tirar uma foto com ele e ele em troca (enquanto o seu dono tentava perceber como usar a minha câmara) quis fugir comigo em direção ao horizonte. Infelizmente o seu dono veio a correr atrás de nós e quebrou o sonho do Chiclito. Um momento muito divertido, mas fiquei com pena daquele llama que em vez de percorrer as paisagens da Patagónia ou do Altiplano, como vi alguns, fazia cara bonita na capital, para atrair turistas. Não foi o meu momento mais feliz, mas estamos sempre a aprender.

Podem encontrá-la aqui: 
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#88 Manas das Caldas

17 agosto, 2017


Não são irmãs de sangue mas apoiam-se entre si como se o fossem. As Manas das Caldas começaram por ser apenas mais um projeto entre os muitos que integram o Caldas Late Night, mas entretanto ganhou vida própria. Maria Passô e Mariana Dias são a cara desta iniciativa que reúne e promove o trabalho artístico de todas as Manas que a elas se quiserem juntar. 

Afinal quem são as Manas?
As Manas das Caldas surgiram em 2015 por parte de outras manas amigas, no contexto do Caldas Late Night. O CLN é um evento criado por alunos da ESAD.CR que convida toda a cidade das Caldas da Rainha a abrir as suas casas de maneira a partilhar e expor projetos de todas as naturezas.
Na primeira edição, as Manas foram isso mesmo, uma casa de partilha de girl power.
E tendo sido um projeto que tanto nos orgulhou e fascinou, achamos que não poderia morrer ali e decidimos pegar nele com todo o amor, carinho e dedicação. Desde então que somos a cara e a voz deste projeto. Maria Passô e Mariana Dias, mas mais do que nós as duas, as Manas são todas as mulheres que se juntam a nós com o propósito de mostrar as suas práticas artísticas. São todas e todos aqueles que nos ajudam a tornar possível cada exposição e também todas e todos aqueles que se revêm e se identificam com o nosso trabalho. Somos acima de tudo uma comunidade e uma equipa, tendo sempre sido esse um dos nossos principais objetivos.

Este foi o terceiro ano em que reuniram mulheres, damas, senhoras, mocinhas, cachopas e madames cheias de talento. É gratificante reunir tanto girl power?
É incrível e mais do que tudo, é gratificante.
De ano para ano, a nossa comunidade tem vindo a crescer e são cada vez mais as manas que nos abordam com o objetivo de fazer parte. Acho que isso acontece porque é fácil e imediato o momento de identificação com aquilo a que nos propomos. Todas nós como artistas e como mulheres temos a sensibilidade de perceber que juntas somos mais fortes.
Ficamos especialmente felizes por sentirmos que aqui conseguimos criar um ambiente familiar onde todas nos sentimos confortáveis para falar e trabalhar sobre os assuntos que realmente nos interessam.

A Casa das Manas abre as portas durante o Caldas Late Night. Deixá-la aberta todo o ano está nos planos ou reunir a família uma vez por ano é suficiente?
Os dias em que as Manas abrem as portas durante o CLN são um momento importante para nós, são dias em que conseguimos chegar até mais pessoas e em que o nosso universo deixa de ser só nosso.
São meses de trabalho e pesquisa que de repente se traduzem em muita cavaqueira, num dia cor-de-rosa, numa exposição maravilhosa da classe feminina e para todos os que a quiserem conhecer.
São dias que nos enchem de facto o coração, mas na realidade as nossas ambições são maiores e o nosso objetivo é fazer crescer cada vez mais este projeto e crescer com ele.
Uma das ideias que tem estado na gaveta mas que está prestes a ver a luz do dia tem o nome de Chá das Manas: encontros mensais em que abrimos as portas de nossa casa à hora do chá. Cada mês trataremos uma disciplina e uma matéria diferente em conversa aberta, master classe, workshop, visionamento de filmes, entre outros. Todas elas propostas que procuram a troca de informação e conhecimento entre artistas de várias áreas.
Com estes encontros pretendemos promover, de uma forma mais próxima, o contacto entre todas aquelas que fazem parte desta comunidade. Ainda existem logísticas por tratar mas as expetativas e o entusiasmo é grande. 

Há aquela ideia de que é mais fácil uma mulher entrar num museu como objeto de arte do que como artista... ainda sentem isso?
É verdade que, quando falamos do panorama geral, ainda é uma realidade e um estigma, mesmo que tenha vindo a diminuir consideravelmente ao longo do tempo. Mesmo como Manas das Caldas já vimos algumas portas serem fechadas por pessoas que não acreditam que a desvalorização da mulher como artista, seja um assunto a resolver e discutir. No entanto, dentro deste projeto, estamos em casa e moldamo-lo de acordo com aquilo que achamos que é o ideal. Estamos confortáveis, vamos criando espaço para isso, e acreditamos que é através de projetos como o nosso, como o teu e como muitos outros, que felizmente começam a surgir neste sentido, que vamos conseguindo abrir essas mesmas portas que ainda estão fechadas. E por isso sentimos também que devemos agradecer, agradecer-te a ti pelo projeto que criaste e também por nos teres dado a oportunidade de falar sobre o nosso.

Podem encontrá-las aqui: 

#87 Marta Caride

16 agosto, 2017


Aos 3 anos descobriram que era surda mas nem isso a afastou de ser aluna de mérito e em apenas 2 anos tornar-se campeã nacional de esgrima. Com 15 anos Marta está já a trabalhar para em 2020 erguer o florete e representar Portugal nos Jogos Olímpicos em Tóquio. 

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’? 
Acho que me caraterizaria como uma rapariga normal, com uma boa capacidade de comunicar e de me fazer entender; uma atleta que adora o que faz; estudante que tenta ser bem sucedida. Acima de tudo, uma pessoa que procura sempre encontrar a harmonia entre 3 coisas muito importantes: esgrima + família e amigos + escola - e que tem conseguido! No 'Sobre' da minha página de atleta digo: "A surdez não faz diferença! Esgrima *Sonho Olímpico* BiCampeã Nac Cadetes 2016. Bi Campeã Nacional de Iniciados. Patrocinadores: Balanças Marques/Widex/ANPT."

Dois anos bastaram-te para seres campeã nacional. O florete está sempre apontado à vitória? 
De facto não foi necessário muito tempo para me conseguir tornar numa das melhores de Portugal! A combinação entre o talento natural que me dizem ter com toda a conjuntura desportiva da esgrima em Portugal, que não é muito popular nem abrangente, permitiram-me logo nessa altura chegar ao lugar mais alto do pódio! Claro que, para que esses bons momentos continuem a acontecer, é preciso mais do que talento: trabalho, esforço e dedicação! Tenho conseguido bons resultados quer a nível nacional, quer a nível internacional, e tenho a plena consciência de que 'para o florete continuar a estar apontado à vitória', terei de trabalhar cada vez mais, mais e mais! 
Neste projeto da esgrima - que me leva a pensar nos Jogos Olímpicos -, são essenciais os patrocinadores. Por isso, aproveito para agradecer às Associação Nascidos para Triunfar, às Balanças Marques e à Widex o apoio monetário que tem sido essencial para fazer as provas no estrangeiro e garantir a presença do meu treinador. E aproveito para deixar a nota de que todos os apoios são bem vindos  ficaria muito feliz se conseguisse reunir as condições para participar em todas as provas do circuito mundial, em 2019, com vista a "lutar" pelo apuramento para Tóquio :) 

Quando temos em falta um sentido os outros acabam por ser apurados. Achas que é isso que acontece contigo e que ajuda à concentração em competição? 
Sem dúvida! A ausência da minha capacidade de ouvir (sem aparelhos auditivos) permitiu-me desenvolver, de forma natural, todos os outros sentidos. Sinto que reparo mais nos pormenores e nos movimentos, e que isso me ajuda definitivamente na esgrima! Uso aparelhos auditivos da WIDEX que me fazem sentir plenamente integrada, e que me permitem viver uma vida que considero muito semelhante à das pessoas ouvintes. Claro que o pormenor da concentração e de todas as outras capacidades que adquiri anteriormente permaneceram comigo, motivo pelo qual eu até considero que a surdez trouxe, no geral, um grande bónus à minha vida. 

És aluna de mérito e bicampeã nacional. É preciso 'vontade de aço' para conciliar treinos, aulas e competições? 
Sim, sim e sim! Se não fosse o gosto total pelo que faço, pela área que frequento (Ciências Tecnológicas) e por todo o ambiente competitivo, nunca conseguiria conciliar estes 3 grandes pilares que ocupam a minha rotina diária! O gosto faz com que eu não me importe de abdicar de certas coisas que para outras adolescentes seria impossível, e, melhor ainda, me sinta bem! Claro que tudo se torna mais fácil quando, após o esforço, vemos a recompensa do nosso trabalho  que tem sido o sucesso escolar e na esgrima! 

Representar Portugal traz algum peso adicional ao florete? 
Representar Portugal é sempre uma sensação de orgulho, de concretização. É poder estar rodeada dos melhores atletas de todo o mundo e competir com eles, algo que me deixa extremamente feliz! Acrescem as responsabilidades e dedicação ao desporto pelo simples motivo de sabermos que vamos representar o país e que pretendemos que seja o melhor possível! Já participei em 2 Campeonatos da Europa e 2 Campeonatos do Mundo, bem como em várias Provas do Circuito Internacional e são os melhores momentos da época: pôr em prática a esgrima que desenvolvo —  com o meu treinador Filipe Melo, no Sport Club do Porto —  com pessoas que falam línguas diferentes, têm valores diferentes, têm vidas diferentes, mas que têm algo em comum: o amor pelo desporto! 
Estou muito motivada para a época 2017/2018, o calendário está praticamente definido e, se tudo correr bem, conto participar em provas em vários países, entre os quais a Áustria, Alemanha, França, Hungria, Itália. Vou trabalhar para conseguir mais uma participação no Campeonato da Europa, que se vai realizar na Rússia, em março de 2018. E no Campeonato do Mundo, a decorrer em abril, em Itália!

Tóquio em 2020 está nos teus objetivos?
De certa forma sinto que Tóquio já começou! Estou a trabalhar para conseguir apuramento para os Jogos Olímpicos, ou seja, em 2019 fazer as cerca de 10 provas do circuito internacional e obter a qualificação para participar em 2020. Sim, faz parte dos meus objetivos e será brutal se forem reunidas todas as condições para ir a Tóquio!

Podem encontrá-la aqui: 

#86 Patrícia Soares da Costa

15 agosto, 2017


O branding corre-lhe nas veias e a EDP, PT, Brisa, SONAE, Fnac, Fidelidade e Multicare são apenas algumas das marcas que já lhe passaram pelas mãos. Patrícia espalhou criatividade por Londres, Rio de Janeiro, São Paulo e Madrid mas gosta mesmo é de 'jogar em casa' e regressou ao Porto para criar a Marquinista. 

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Sou Marquinista: a locomotiva das marcas, da comunicação e do turismo, que sonha com carimbos no passaporte e aceita milhas aéreas como honorários.

As marcas portuguesas estão bem e recomendam-se? 
Nem todas. E ainda bem, senão, ficávamos sem projetos e sem desafios interessantes de reposicionamento de marca e de mudança de percepção :)

O branding, sempre o branding e nada mais que o branding. É o amor de uma vida? 
Em criança, enquanto as minhas amigas brincavam aos escritórios, eu brincava de criar a marca para os negócios delas. Entusiasma-me o branding desde sempre. O poder da comunicação e a importância da percepção. Paro na estrada não para ver o acidente, mas sim para ver "as pessoas a ver o acidente". O que cada indivíduo está a absorver de forma única? Tal como cada consumidor vai interpretar de forma diferente os sinais da nossa marca. Afinal, vemos fora o que levamos dentro®.

O Porto está a deixar marca? 
As tradicionais DMOs (Destination Marketing Organizations) têm que evoluir para Destination Media Organizations. Agora a percepção de um sítio é democrática e inclusiva, todos contribuem (com fotos, hashtags, partilhas). Assim, o Porto é a cidade que não foi reinventada, mas reinventou-se. O Porto deixa "marca" mas não quer estar “na moda”. O Porto está a deixar marca, ponto.

O mercado publicitário já deixou de respirar por uma palhinha? 
Não sei se se investe mais, mas percebo que se investe melhor. Evoluímos muito desde o tempo em que o sucesso de uma campanha se media pela quantidade de flyers encontrados nos caixotes do lixo perto do local de distribuição. Mas, quanto mais temos medições e algoritmos, mais o que realmente importa é que "value is a feeling, not a calculation". 

Como é que se convence uma marca a 'descarrilar' e arriscar numa nova abordagem ao mercado? 
Com o exemplo de uma conversa do líder coreano Kim Jong-un com um seu soldado: "Launch? I said lunch!" Sim, erros de percepção também estão a acontecer com a sua marca, o seu produto, o seu negócio. Uma marca não é o que nós dizemos que é, não é o que queremos que seja, é o que o consumidor percepciona. Construir essa percepção é uma viagem pelas variáveis, é um passeio por todos os porquês, é ter um passaporte com uma história para contar.

Podem encontrá-la aqui: 

#85 Alice Bernardo

14 agosto, 2017


Alice colocou de parte a carreira na arquitetura para se dedicar à investigação de técnicas de produção artesanal e semi-industrial portuguesas. Fez assim nascer o projeto Saber Fazer onde investiga e divulga o trabalho artesanal em Portugal e as pessoas que o executam.

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Investigadora têxtil que criou o Saber Fazer como forma de estudar os ofícios e recursos do seu país e de partilhar o que aprendeu. Sente-se feliz a produzir as suas próprias fibras e a atrair pessoas incautas para os vícios do têxtil.

A licenciatura em Arquitetura foi um erro? 
Uma boa licenciatura em Arquitetura nunca é um erro. É uma formação que, entre muitas outras coisas, nos ensina a trabalhar uma ideia, apurá-la e torná-la real, e isso é algo que é sempre útil.

Há artes a morrer em Portugal? 
Há muito conhecimento e rigor técnico a perder-se, sem dúvida. Não acho que seja uma perda irremediável, mas será necessário um grande esforço para o recuperar!

Alguma técnica que te tenha encantado e que decidiste explorar pessoalmente? 
Comecei pela fiação e rapidamente passei para tudo o que envolve processar as fibras têxteis, que é basicamente tudo o que é desenvolvido nos programas do Saber Fazer. Nos últimos anos tenho-me dedicado a produzir localmente as matérias-primas com que trabalhamos e gosto cada vez mais de controlar pessoalmente estes processos desde a raiz. 

Vemos a nova geração de designers voltar-se para técnicas artesanais no desenvolvimento de produtos. O que achas que mudou para que isso acontecesse? 
Penso que há uma vontade de se voltarem a aproximar dos processos de produção que, na escala artesanal, são mais fáceis de controlar, bem como com a possibilidade de criar produtos diferenciados e em menor escala.

A gestão é um 'saber fazer' que preferias ver de longe? 
Aparentemente, o foco do projecto não está aí, mas na verdade a gestão é fundamental para o trabalho que faço e, portanto, algo que não quero ver de longe. Tenho uma forma muito pessoal de gerir as pessoas com quem colaboro, os programas que desenvolvo e até a investigação técnica. É a alma do projecto!

Podem encontrá-la aqui: 

#84 Mariana Tomé Ribeiro

13 agosto, 2017


Criou o primeiro negócio na sala de casa aos 18 anos quando entrou em Design de Comunicação e pouco depois a Fine&Candy, a marca de estacionário que encantou os armazéns londrinos Harrod”s. Mariana é co-fundadora e diretora criativa da agência Sabya.

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Tenho sempre bastante dificuldade em me descrever. Sempre fui fascinada por produtos de luxo e inovação. Considero-me uma “creative connecter” pois o que mais me entusiasmada é encontrar soluções criativas para problemas.

A norma é entrar na Universidade e depois procurar emprego. Tu criaste o emprego e depois foste frequentando a universidade. Aos 18 anos tinhas noção de que estavas a criar uma agência na sala da tua casa? 
O meu perfil fez com que tomasse esta direção. A experiência nunca se sobrepõe ao conhecimento, mas valida-o e testa-o. Não tinha noção do que estava a construir porque a minha única vontade era trabalhar e ver tudo a acontecer. Se fosse hoje talvez tivesse feito de forma diferente. O timming é essencial para o sucesso dos projetos e quando somos muito ansiosos e focados tomamos atitudes fora do seu tempo.

O empreendedorismo é uma atitude? 
Sem dúvida. O empreendorismo é a paixão e a vontade em todas as iniciativas que tomamos. É um impulso que faz com que as nossas iniciativas superem o que nos foi pedido.

Teríamos a Fine&Candy sem o rés do chão da Rua do Rosário? 
Não. O facto de me ter apaixonado perdidamente pela loja e de ter uma antiga obsessão por papelaria, fez com que criasse uma marca, que diretamente ligada ao negócio do meu anterior projeto, servisse de “isco” para angariar clientes para a agência. 

O retalho de luxo consegue cativar a nova geração de consumidores? 
A nova geração é cativada pelo verdadeiro luxo e por aquilo que torna um produto de luxo diferenciador. O consumidor quer marcas transparentes, sustentáveis, tecnlógicas, competitivas, verdadeiras na sua essência, que proporcionem experiência de compra e acima de tudo que entendam o consumidor na sua individualidade. O digital é essencial no crescimento do luxo com os novos consumidores.

No ADN da Sabya está a vontade de criar relações entre consumidores e marcas online. O digital pode ser pessoal?
O digital tem que ser pessoal. A relação afetiva e a experiência de compra offline tem que existir no digital. O digital não é um canal de comunicação, é a forma como comunicamos e como tal deve agregar as caraterísticas das relações humanas. Conhecer o utilizador, falar para um público específico, aumentar o engagement e criar uma relação.

Podem encontrá-la aqui: 

#83 Paula Tavares

12 agosto, 2017


É artista e professora no Ensino Superior. Paula estudou Belas Artes, foi assistente da FBAUP e é atualmente diretora da Escola Superior de Design do IPCA. 

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Uso as redes sociais, maioritariamente de forma profissional e pública. Fui verificar o que tinha online: Artista, Professora e Investigadora.

O rácio de mulheres na liderança no ensino não é exemplar. As escolas podem fazer algo? 
A afirmação está correta e é consensual que muito a fazer. Não só no ensino, mas em todas as áreas. É necessário construir políticas estruturais que possibilitem a igualdade no acesso aos cargos para homens e mulheres, e não estou a falar de cotas, apesar de entender que em determinadas situações são necessárias como contributo para a mudança de paradigma. Portugal, apesar de toda a evolução dos últimos anos continua a ter uma sociedade conservadora que exerce uma pressão imensa sobre as mulheres. Sobre o que é expectável uma mulher ser. Efetivamente a igualdade de género só estará conquistada quando não necessitarmos de falar nela. Há, portanto, um caminho a fazer, mas é responsabilidade de todos nós, todos os dias, fazer por mudar. E o que me parece relevante é que esta mudança não começa na escola, apesar da escola poder contribuir de forma construtiva, mas, julgo que a mudança começa em casa, na educação que damos aos nossos filhos, nomeadamente na organização dos dias e respetivas tarefas assim como formas de estar e agir.

Vemos mais mulheres que homens no ensino superior. Porquê? 
Na minha opinião, deve-se essencialmente ao facto das raparigas atingirem a maturidade muito mais cedo que os rapazes, logo, os programas do ensino de base parecem mais adequados para o sucesso das raparigas. Não quer dizer que elas são melhores que eles, quer dizer que crescem de forma diferente. No entanto, apesar dos alarmes lançados nos últimos anos, em 2016 apenas tínhamos mais 24.165 de raparigas num universo de 356.399 estudantes matriculados nas IES.

A fuga de cérebros começa cada vez mais cedo?
Não tenho dados finais sobre este assunto, mas não tenho essa perceção, pelo contrário, a perceção que tenho é que o ensino superior em Portugal é muito bom e que estamos cada vez melhor a vários níveis. A procura de estudantes ERASMUS pelos ensino superior português é exemplo disso. Claro que há exceções em determinados cursos em que os estudantes portugueses não conseguem entrar, mas parece-me residual.

A arte ou a arte de ensinar? O que vem primeiro?
Efetivamente sou artista, formada em Belas Artes, formação de base e pós-graduada. Iniciei o meu percurso como professora do ensino superior de forma natural, terminei a licenciatura e candidatei-me a um lugar de assistente na FBAUP; nessa mesma altura candidatei-me a doutoramento e concluí-o em tempo útil. O que me assegurou a possibilidade de carreira como professora no ensino superior numa instituição onde podia crescer, o IPCA. A par de ser artista sempre me interessou a partilha que a profissão de professor possibilita. Rapidamente cheguei à conclusão que ser professor é continuar a aprender sempre, desde que se esteja disponível para tal. A direção da escola surgiu como consequência da criação da Escola Superior de Design do IPCA e da confiança depositada em mim para o exercício do cargo, o que muito me honrou e honra. 

Podem encontrá-la aqui: 

#82 Ana Rente

11 agosto, 2017


Da ginástica passou para o trampolim e, de salto em salto, Ana já leva 20 anos de carreira desportiva e três participações em Jogos Olímpicos. É considerada por muitos como a melhor atleta portuguesa de sempre na modalidade de trampolim e, pelo meio, ainda conseguiu conciliar treinos e competição com o exigente curso de Medicina.

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Atleta olímpica de ginástica de trampolim. Médica interna de Medicina Geral e Familiar. Adoro viajar, conhecer novas pessoas, novos sítios e novas culturas. 

Experimentaste vários desportos, desde o judo à natação. Porquê o trampolim?
Iniciei a minha carreira como atleta de alta competição na ginástica acrobática, mas desde cedo me apaixonei pelos trampolins. A aprendizagem de determinados elementos na acrobática era realizada no trampolim e eu sempre gostei da sensação de adrenalina e daqueles pequenos segundos de voo. Chegou a um ponto em que tive de optar entre as duas modalidades e escolhi os trampolins.

Estando sempre no ar como se consegue manter os pés bem assentes na terra e enfrentar o curso de Medicina? 
Não é nada fácil conseguir conciliar as duas carreiras, no entanto penso que é uma questão de organização de tempo e saber fazer uma gestão de quando apostar mais numa carreira em detrimento da outra.

É fácil lidar com o 'peso' de representar Portugal quando saltas nos Jogos Olímpicos?
Não vejo como um peso mas sim como um orgulho enorme poder estar no maior palco desportivo do Mundo a representar a nossa bandeira. Claro que sentimos sempre alguma responsabilidade mas o importante é ter consciência do que trabalhámos para chegar ali e dar o nosso melhor naquele momento.

Enquanto atleta de alta competição ficas mais exposta à opinião pública. Encaras bem essa exposição?
Encaro de forma positiva. É um sinal de reconhecimento do nosso trabalho.

Vinte anos de carreira desportiva, três participações em Jogos Olímpicos. Vamos poder dar um salto contigo até Tóquio?
Isso ainda é uma questão que está em aberto. Fica cada vez mais complicado conciliar as duas carreiras, portanto neste momento estou a desfrutar um dia de cada vez e a aproveitar cada momento.

Podem encontrá-la aqui: 

Foto:
FGP, FIG, COP

#81 Rita Vila-Chã

10 agosto, 2017


Ser arquiteta era um sonho de Rita desde os 6 anos mas ficar fechada numa sala a fazer projetos num computador não estava nos planos. Inspirada pelo curador da Serpentine Gallery, Hans Ulrich Obrist, abriu as portas da sua casa no 8.º Dto. Frt do edifício da Cooperativa dos Pedreiros, no Porto, e criou a galeria Oitavo.

Se este fosse o teu perfil de uma rede social o que escreverias na área 'Sobre ti’?
Rita, a pessoa que se ri de olhos fechados. Bem disposta e descontraída, gosta de concretizar algumas das muitas ideias que tem. Adora convívios à volta da mesa e viagens de carro.

Com a casa transformada numa galeria não receias que o voyeurismo ultrapasse os limites do aceitável?
Não. Estou à vontade em ter muitas pessoas em casa, sempre foi assim. O voyeurismo associado à descoberta da casa de alguém é um tema que sempre me entusiasmou porque, enquanto arquiteta e curiosa, me interessa perceber como é que as pessoas vivem e usam o seu espaço habitacional e, nesse sentido, quais são os seus hábitos. Não acho que o voyeurismo associado a uma visita à minha casa-galeria traga situações desagradáveis porque a conjugação dos factores não o permite: independentemente de estarem muitas ou poucas pessoas, a casa é pequena e isso não abre espaço a "divagações" que ultrapassem o aceitável. Apercebo-me que as pessoas que me visitam têm uma curiosidade saudável sobre o projeto e é isso que se torna interessante de explorar.

Qual foi a situação mais caricata que aconteceu com visitantes? 
Já tive algumas mas a que mais me surpreendeu foi a quantidade de antigos funcionários do Antigo Hospital Maria Pia que nos visitaram no decorrer da última exposição, nesse mesmo edifício. Tinha noção da importância da instituição mas não tinha noção do número gigante de pessoas que ainda se interessam pelo espaço e pelo futuro do mesmo. Durante os 15 dias da exposição pude pôr em prática conceitos que me interessam explorar na galeria, como a dinamização urbana temporária através de uma galeria itinerante. 

E os teus vizinhos? Não tiveste a polícia à porta?
Lembro-me que a primeira exposição teve tantas pessoas que não nos conseguíamos mexer. Quando me apercebi, não só o apartamento estava cheio como também o lobby; estava imensa gente a subir e a descer escadas e os elevadores deixaram de funcionar. Claro que os vizinhos não acharam tanta piada a isto como eu, mas não tivemos problema algum. 

A proximidade física ajuda à relação das pessoas com a arte? 
A galeria Oitavo explora a importância e a capacidade que os espaços "não convencionais" têm na exposição artística, que pode ser a minha casa, como um hospital em desuso, como foi o caso do Antigo Hospital Maria Pia. Usar espaços que não foram inicialmente desenvolvidos para serem expositivos e transforma-los nesse sentido permite uma relação mais rica entre as pessoas e a arte porque acrescentamos, entre muitos outros, um fator importante: a arquitetura.

Criaste uma galeria irrequieta e itinerante. É um reflexo de ti mesma?
Sim. Sempre fui muito interessada e sempre me entusiasmei pela concretização das ideias. Isso faz com que a maior parte das vezes a minha cabeça tenha mil projetos e ideias, aparentemente, mirabolantes, mas que me dão gozo realizar. E quanto mais "out of the box" mais interessantes se tornam porque me obrigam a questionar todos os pre-conceitos associados e a transformá-los num projeto coerente.

Podem encontrá-la aqui: 
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